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Odes de Anacreonte

22/02/2012 16:16:55  |  56 Visualizações

Quase ninguém mais cita Anacreonte hoje em dia. Mesmo em compêndios de iniciados na poesia, leitores de carteirinha, teóricos, seu nome raramente aparece. E é evidente que, além de uma lástima, por ter se tratado de um dos primeiros poetas líricos (algo como “poesia amorosa, de sentimento, da sabedoria, ou da fugacidade do tempo; se é que alguma outra poesia que não seja essa devesse ser admitida...) da história da humanidade, é a perda de uma chance de aprendizagem. O que se tem em Anacreonte, e que se deveria ter em cada instante da vida (como a essência do olhar estético), é preocupação com conteúdo, e não com forma. Nosso mundinho anda tão preocupado com a forma, que, ao que tudo indica, vai ao supermercado adquirir água, cerveja e refrigerante pelo formato da garrafa, e não pelo que vem dentro, de maneira que anda comprando gato por lebre, isto quando não é simplesmente casco vazio.



Voltando a Anacreonte (acima, o busto romano dele), esse poeta grego, nascido em 563 a.C. e falecido em 478 a.C., é reconhecido ainda hoje pelo seu entusiasmo no canto às musas, a Dionísio (o Deus grego dos ciclos vitais, das festas, do vinho, do devaneio, equivalente do Baco latino). Dele, chegaram a nossos dias fragmentos, mas eles são suficientes para compreender que havia muita sabedoria em seus cantos. As Odes anacreônticas podem ser encontradas, com alguma perspicácia e persistência, em sebos do Brasil.


Tenho, para minha satisfação, em minha biblioteca há anos uma edição da famosa coleção Rubáiyát, que a Livraria José Olympio Editora, do Rio de Janeiro, viabilizou, veja só, em 1952, portanto há 60 anos, capa dura e relativamente bem conservada, em formato assemelhado ao pocket. Quem assina a tradução é Jamil Almansur Haddad, com direito a um completíssimo e esplêndido estudo introdutório por ele próprio assinado, e datado de dezembro de 1945, justamente o mês e o ano em que meu pai nasceu, de maneira que desde o princípio associo uma coisa à outra. As Odes anacreônticas deviam ser livro de cabeceira de todo aquele que almeje, em alguma instância, se aventurar mais a sério no mundo da poesia (aliás, isso devia ser tarefa de cada pessoa, a fim de alcançar o patamar daquilo que se chama de “humanidade”).


No Brasil, encontra-se ainda poemas e trechos de Anacreonte agregados a outros compêndios, antologias (entre as coletâneas de poetas gregos sua presença é incontornável) e citações, mas penso que a leitura de um conjunto maior de suas obras é salutar.

Postado por Romar Rudolfo Beling - romarbeling@yahoo.com.br
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