Viver enquanto é tempo
Um poema de Anacreonte, na abaixo mencionada edição das Odes anacreônticas, tradução de Jamil Almansur Haddad.
Viver enquanto é tempo
De que me valem os arcanos
do tesouro de Giges, o rei sardo?
Não invejo a fortuna dos tiranos.
Pois basta a Anacreonte
umudecer o rosto de mornos perfumes
e coroar a pensativa fronte
de rosas rubras, acendidas como lumes.
Só o dia de hoje me preocupa... O Amanhã...
Por que pensar assim nesta sombra tão vã?
Bebe e a Baco oferece cada dia
a libação antes que venha a hora sombria
em que a taça estará para sempre vazia.



