O começo
Eis que se torna realidade, nesse 18 de fevereiro, uma sexta-feira, o blog Leituras de Mundo, no ambiente online do Portal Gaz. Para começo de conversa, creio serem necessárias algumas palavras gerais sobre o propósito desse espaço. Quem convive comigo ou que me conhece minimamente sabe que tenho na leitura (de livros, revistas, gibis, jornais, almanaques, cordéis, bulas de remédio, listas de telefone, o que estiver à mão) uma de minhas marcas registradas. Se isso é bom ou ruim, se representa algum diferencial ou não, se isso soa (ou aparece) pertinente para os demais, sobre isso pouco sei. O fato é que, até onde a minha memória alcança, sempre me entendi como leitor, e isso talvez já lá pelos cinco anos, na minha sempre saudosa Linha dos Pomeranos, no interior mais escondido do torrão amigo Agudo, lá no meio dos morros.
Se tem algo sobre o qual eu entenda que possa ou deva falar, é sobre leitura. E nem por isso gostaria de assumir (tenho até fobia disso) algum ar pedante. Acho até que, sinceramente, quem veio de um tempo dos pés descalços, de ir para a escola de chinelo, de sentir a geada ardendo forte na canela nos dias de inverno da escola primária, pedantismo é quase crime, se é que não o é de fato. Simplicidade, humildade, respeito a suas origens, essas foram lições e mandamentos que meus pais Laurindo e Lira me legaram. Não significa que eu tenha sido sempre eficiente em não ser ou parecer pedante, e é óbvio que se o fui não o foi por falha de ensinamento dos meus pais, mas por minhas próprias e inegáveis limitações.
De qualquer modo, creio que a própria leitura (e penso que quem lê o sabe muito rapidamente) logo nos torna mais preparados, um tanto vacinados, nos proporciona algum traquejo, para lidar com pedantismos. Acho até que a leitura nos blinda para praticamente tudo na vida. Nisso cabe um esclarecimento essencial. Por leitura entendo não apenas o manuseio e a apreciação de um texto escrito, seja em qual suporte for (inclusive o eletrônico que nos permite, agora, estabelecer esse contato). Por leitura entendo "ver" o mundo, "ler" o mundo. Por isso, o nome desse blog está no plural, e por isso ele usa como espaço de leituras o mundo todo: tudo isso que nos cerca.
Pessoalmente, sou formado em Letras e tenho aprofundamentos teóricos em literatura. Atuo profissionalmente como jornalista. Mas isso tudo é absolutamente dispensável. Não me importa o que já li, não me importa o que agora faço. Me importa o que estou lendo e o que ainda vou ler, e tanto faz se é da minha própria biblioteca, se é emprestado por amigos ou se é algum achado ocasional (e esses não são poucos). E espero que Deus me dê a ventura de mais e mais dias, os que ele achar que fiz por merecer, ou que estou fazendo por merecer, para mais e mais leituras.
Se isso ainda precisa ser dito, se ainda não ficou evidente, sou um apaixonado por livros. Não conseguiria, jamais, conceber um mundo sem livros, um mundo sem leitura. Não teria graça nenhuma. Por isso mesmo, tenho pena, sim, muita pena de alguém que não lê, de alguém que desperdiça dias e dias e horas sem apreciar um livro que lhe ampliaria a visão de mundo (o exterior e o interior). Costumo repetir que o maior crime que uma pessoa pode cometer consigo mesma é não manter e cultivar o hábito de ler. Ela se priva de viver mais, de conhecer mais, de saber mais, de entender mais, de se entender mais (privar-se de entender mais coisas é, sem dúvida alguma, algo muito triste, algo praticamente trágico).Tenho convicção de que não ler não é um direito que uma pessoa tenha; uma pessoa, em sociedade, não pode ter o direito de ser burra, de não buscar conhecimento, porque de algum modo ela está se transformando num peso para outros. Quando alguém opta por não aprender, opta por ser incapaz de auxiliar mais e melhor os outros.
Assim, aqui estarei, de tempos em tempos, cumprindo um papel que fixei para mim: estimular outros, convencer outros, propor a outros que leiam, que valorizem mais os livros (seu conteúdo, seu universo imaginário, a memória que nele pulsa), que prestem mais atenção ao mundo que os cerca, e que usem como ferramenta de atenção a arte. Ler é uma arte, diz o slogan, da 24ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, que ocorre entre 27 de agosto e 5 de setembro de 2011. Sim, ler (como escrever, como viver) é uma arte e nos torna mais fortes, mais plenos, mais amplos, mais humanos, disso estou convicto.
Aqui, para os que acharem que devem, eventualmente, visitar esse espaço dedicado a Leituras de Mundo, falarei e falaremos disso que, percebo agora, nos aproxima enquanto indivÃduos comprometidos com a aprendizagem, com o conhecimento, com a sabedoria. E desde já mais um alerta: conhecimento e inteligência não significam sabedoria. Ter lido muito, ter viajado muito, ter frequentado centenas de ambientes, não é condição de sabedoria. A sabedoria nasce da capacidade de discernir, de separar o joio do trigo, de não se "achar" mais do que outros, de saber respeitar, de evitar machucar, de valorizar as coisas que nos cercam; em suma, de ter... humildade.
Aqui, não se pretende vender conhecimento; aqui se procura a sabedoria. E a sabedoria nasce não do tanto ou das tantas pessoas que se viu ou que se conheceu ou visitou, das faculdades ou das academias ou dos grupos sociais que se frequentou, mas do aprimoramento da capacidade de enxergar o mundo à nossa volta e de aceitar as suas lições. As Leituras do Mundo é que vão, pouco a pouco, um passo de cada vez, nos tornando sábios. Nesse caminho vamos. Me sentirei honrado, lisonjeado e engrandecido de ter a sua companhia.
De que falará esse blog:
De livros, de leituras, de poesia!, de artes plásticas, de música, de cinema, de teatro, de viagens, de amizades, de saudades, de árvores, da natureza, de animais (adoro cachorros! e, admito, uma vez mais, tenho muita pena de quem não gosta deles), de lÃnguas e linguagens, de paÃses e de paisagens, do passado e do futuro. Nada que possa proporcionar uma gota a mais de sabedoria e de interação saudável com o mundo passará sem ser valorizado.
Tenham, todos, dias maravilhosos, enriquecedoras leituras de mundo e muitos motivos para sorrir.
Um grande abraço, bem-vindos, obrigado pela visita.
Em tempo:
"Os que menos sabem governar-se são os que mais ambicionam governar os outros"
disse
o Marquês de Maricá, pseudônimo do polÃico carioca Mariano da Fonseca (1773-1848)
Comentários postados:
Que felicidade em poder degustar da boa escrita - Que esse espaço se mantenha por todo o sempre que tuas idéias não sequem jamais - Que este blog seja o muro dos que querem expressão profunda, como nos ensina nosso mestre Belchior: "...Sonho e escrevo em letras grandes,
de novo, pelos muros do páis..." - Um abraço apertado e virtuoso e votos de vida longa ao "leituras de mu
Luana, amiga, colega e vizinha de blog! Como bem sabes, te disse, digo e repito, sou igualmente um visitante do teu blog. E é muito bom, agora, saber que podemos ir compartilhando, de parte a parte, visões e conhecimentos de mundo. Por ora, um grande abraço virtual pra ti e que tenhas uma semana maravilhosa.
E a terceira vez que tento deixar um comentário aqui. Entao espero que desta vez funcione. As outras coisas que escrevi já se foram, entao teremos que captá-las em alguma onda vibratória aà por este universo infinito.
O que gostaria de deixar registrado aqui é minha imensa alegria de te ter aqui também, no espaço virtual. Que o teu Leituras de Mundo seja muito bem-vindo ao mundo.
Mas gostei desse blog.
Forte abraço.
Parabéns pelo blog.
Espero poder acompanhá-lo sempre.
Desejo que tenhas sucesso na empreitada de divlgar as Leituras do Mundo.



