Quando o futuro morreu?
Em tempos de lançamentos de livros, o blog se diverte anunciando as novidades. Uma das que tende a preencher lacuna no universo da cultura brasileira, com todas as condições de se firmar como referência e consulta indispensável na cena da literatura e da comunicação é Quando o futuro morreu?, esplêndido ensaio de autoria do publicitário e professor Rudinei Kopp, que está chegando em parceria de edição da Edunisc com a Editora Gazeta (capa abaixo).

O exemplar está no mercado a partir desta semana e igualmente tem sessão de autógrafos agendada na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, na próxima quinta-feira, a partir das 14h30. São 320 páginas de conteúdo extremamente denso e investigativo sobre um tema caro à sociedade egressa das guerras do século XX: a distopia. Ao ler e refletir sobre cinco romances essenciais do último século, Rudinei (foto abaixo) descortinou, ao mesmo tempo, o papel que, no imaginário desses escritores, os meios de comunicação desempenhariam na conformação do poder e na tomada de decisões.

O seu corpus de trabalho foram os romances Nós, de Zamiatin; Admirável mundo novo, de Huxley; 1984, de Orwell; Revolução no futuro, de Kurt Vonnegut Jr.; e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Antes de mergulhar na apreciação dos elementos que, nesses livros, configuram a distopia (isto é, o futuro imaginado como um mundo pior do que o do presente, enquanto a utopia, a la Thomas Morus, enxerga os tempos vindouros sempre com a expectativa de uma sociedade melhor, ideal, perfeita), ele se dedicou a um exaustivo e interessante resgate dos conceitos envolvidos.
E como o papel dos meios de comunicação parece mesmo ser peça-chave em tudo que diga respeito à condução dos rumos na sociedade, e como era justamente essa a curiosidade de Rudinei (mapear o papel dos meios de comunicação no enredo desses romances), o livro igualmente detalha de forma preciosa a história do jornal impresso, do rádio, do cinema e da televisão. Eram estes os veÃculos que a sociedade ocidental afinal conhecia e com a qual interagia na primeira metade do século XX, espaço de tempo da qual a pesquisa de Rudinei se ocupa. Por fim, cada um dos cinco romances mencionados é exaustivamente analisado, à luz da teoria anteriormente explicitada.
A tÃtulo de complemento ao longo ensaio de Kopp, o professor Francisco Rüdiger, da Ufrgs, assina um prefácio, enquanto o professor Mozart Linhares da Silva, do Curso de História da Unisc, contribui com um pertinente posfácio. Está aÃ, portanto, o livro, como uma contribuição oportuna e formidável para os estudos da literatura e da comunicação, apoiado de maneira tão eficiente que tende a se tornar referência não apenas nacional, como certamente internacional, sobre esse tema.



