Alexandre Garcia 13/08/2019 22h38 Atualizado às 11h01

A Amazônia é nossa

Como passou o tempo de governos mais preocupados em garantir dinheiro para permanecer no poder, estamos descobrindo agora de quem é a Amazônia

Nesta semana, Sua Santidade o papa fez um apelo para que os líderes do mundo salvassem a Amazônia. Perdão, Santidade, mas quando estouraram os escândalos do Banco do Vaticano ou da pedofilia, não ouvi nenhum líder brasileiro pedindo que o mundo salvasse a Santa Sé.

Há quase um ano, achei bom que o papa da vizinha Argentina não tivesse feito nenhuma manifestação quando o líder na campanha presidencial brasileira foi esfaqueado para morrer. Afinal, o Vaticano nada tem a ver com a política brasileira. Mas agora vão fazer por lá, em outubro, um Sínodo para a Amazônia, cujo relator é o arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes. Vão tratar da Amazônia brasileira, que é brasileira; e de suas populações, que são brasileiras – num território estrangeiro, tal como faziam os impérios espanhol e português, ao nos colonizarem.

Dois cardeais alemães discordam de Roma a respeito desse Sínodo. O ex-prefeito emérito da Congregação da Doutrina da Fé, dom Gerhard Müller, e o cardeal dom Walter Brandmüller, de 90 anos, alegam que a carta com princípios do Sínodo é herética, estúpida e apóstata. Não chega às 95 teses de Lutero nas portas da igreja de Wittenberg, há mais de 500 anos, mas é um aviso. Problemas internos na Igreja, mas problemas maiores com o Brasil. Da Alemanha também nos chega a informação de que o governo pode suspender 35 milhões de euros que seriam destinados a projetos contra o desmatamento da Amazônia. O dinheiro alemão, como de outros europeus, iria para ONGs que têm estabelecido territórios autônomos na Amazônia brasileira, onde já impediram a entrada de general brasileiro.

Como passou o tempo de governos mais preocupados em garantir dinheiro para permanecer no poder, estamos descobrindo agora de quem é a Amazônia. A riqueza do solo e do subsolo é nossa e de mais ninguém. E a conquistamos a despeito do Tratado de Tordesilhas, não é, Pedro Teixeira? E depois de Tordesilhas, não é, Plácido de Castro; não é, José Maria da Silva Paranhos Jr.? E agora vem um argentino nos dizer que líderes do mundo precisam “salvar” a Amazônia? O general Villas Bôas, consagrado nesta semana no Senado como nosso herói contemporâneo, tuitou a coincidência de a cobiça recrudescer depois de anunciado o acordo entre Mercosul e União Europeia. Teria sido também coincidência o anúncio de suposto desmatamento por parte do então diretor do INPE?

Na homenagem a Villas Bôas no Senado, ocupou a tribuna o líder do MDB, senador Márcio Bittar, do Acre, que, repetindo Plácido de Castro, lembrou que essa terra é nossa. Não temos que receber lições de ninguém. E nem é preciso discutir o mérito, porque nossa soberania está acima de qualquer julgamento. Que toda essa cobiça insistente sirva para que pensemos sobre o bordão “sabendo usar, não vai faltar”. A Amazônia, porque é nossa, é de nossa responsabilidade.  Significativamente, o vice-presidente da República, general Mourão, encerrou seu discurso de saudação a Villas Bôas com o grito de SELVA!