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Contra Ponto

Brasil na UTI

Chico Buarque já cantava (e denunciava) em Vai Passar (1984). Dizia: “Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas novas gerações, dormia a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.

Poderia regravar e atualizar o texto. Mas o Chico Buarque indignado e denunciante não existe mais. Restou escravizado por ídolos de barro e refém de discursos próprios e alheios, ainda que desmascarados. 

Então, tocante os malfeitos, quais são os limites sociais e políticos suportáveis de uma nação? O que machuca mais um povo: a espoliação tributária? A corrupção? As injustiças sociais? Os níveis de criminalidade? Ou o deboche das autoridades?

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Essas hipóteses não são privilégio da época presente, nem marca exclusiva dos últimos governos. É uma sina brasileira, quase uma maldição. Somadas ou alternadas, se repetem em diferentes ciclos, independentes de governos, pessoas e partidos. 

Claro que o povo contribui para esses fatos ao reconduzir eleitoralmente determinadas figuras aos níveis governamentais ou representativos (vejam o que indicam as recentes pesquisas pré-eleitorais). Historicamente, episódios não nos faltam. Mas, concentremo-nos no deboche das autoridades.

A própria Justiça, que deveria ser exemplar, contribui com atos e fatos que extrapolam o deboche e humilham a nação. Mordomias, nepotismo, abusos de poder, aposentadorias precoces e compulsórias (para agentes em delito), entre outros casos.

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O Poder Executivo, embora o mais vigiado de todos e, portanto, mais flagrado em delitos, afinal, é o detentor e guardião (?) do maior volume de recursos público-financeiros, não cansa de contribuir com maus exemplos que desmoralizam e desanimam o cidadão e contribuinte bem informado. 

O rol de escândalos contribui na proporção dos níveis de intervenção estatal na economia e na vida das pessoas. Ignora que quanto maior a intervenção, maiores a corrupção e desperdício. A pretexto de um ufanismo e nacionalismo de museu, somos reféns históricos. 

E os deboches não se esgotam. Felizmente, a imprensa não precisa mais do que uma semana para desfazer castelos de cartas e elucidar os truques baratos dos mágicos de ocasião. Assim como já fizera com outros e anteriores governos e personalidades. Mas atos que se configuram como deboches são bem piores que a espoliação tributária, a corrupção, as injustiças e a criminalidade. O deboche dos ditos representantes do povo “quebra a espinha dorsal” da nação e esvazia, paulatinamente, a esperança coletiva.

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