CONTRAPONTO 07/10/2020 10h19

Frente de batalha

O que as eleições têm em comum? Renovam-se as promessas e os planos de solução dos habituais problemas

As redes sociais serão o campo de batalha eleitoral. Sem manuais de conduta, sem hierarquias e sem regulamentos. Processo coletivo e anárquico de ação, participação, informação e contrainformação. 

A (prática) política é fértil em abalos de confiança e “destruição” de personagens. Afinal, se não dá para conseguir apoios, financiamentos e votos em causa própria, tenta ao menos fragilizar os adversários. 

Mas, seja em modo positivo ou negativo, em ação ou reação, a instrumentalização exagerada das redes sociais evidenciará riscos e danos colaterais. Entre tais, principalmente, desprestígio pessoal e fadiga eleitoral. 

Objetivamente, do ponto de vista do interesse popular e da administração pública, o tom adotado ensejará mudança de hábitos e práticas políticas positivas? Essa é a questão central. 

E, afinal, importa não esquecer que eleições são um processo, não um fim em si mesmo!

Menos é mais!
O que as eleições têm em comum? Renovam-se as promessas e os planos de solução dos habituais problemas. Afinal, campanhas eleitorais e novos governos são sempre muito criativos. Até demais! 

Quando anunciados, são planos, programas e projetos ditos extraordinários. Porém, raramente realizam-se. É de nossa tradição legar aos cidadãos as meias soluções e obras incompletas. Que resultam em descrédito, desperdício de recursos humanos e financeiros, déficit público e inflação. 

Assim sendo, é surpreendente a capacidade dos candidatos e governantes de retornarem à cena pública para prescrever “novos” remédios e criativas soluções. Mas há algo mais incrível: nós acreditamos. 

Parece universo mágico. O fracasso reforça a credibilidade. É o que ocorre nos rituais e sistemas de crença, quando magos e assemelhados atribuem uma falha não à crença em si, mas aos meios utilizados. 

Ironias à parte, tudo isso, entretanto, não desfaz nossas esperanças. Sem as quais nos tornaríamos intolerantes com as formas de representação e poder de estado. 

Logo, almejamos que os candidatos a “feiticeiros” façam sua reciclagem comportamental, a começar pelo próprio ego, naturalmente “inflado”, e renunciem à sedutora tentação de reinventar a roda. 

Que se limitem ao exercício da humildade. A diferença entre a receita mágica e a promessa viável é a medida do possível. Mas, para tanto, importa exercitar a modéstia e o saber ouvir! 

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