CONTRAPONTO 14/10/2020 10h41

Regulação das redes sociais

Neste momento, as redes sociais estão formatando nosso padrão de consumo de produtos, notícias e informações. Estão pré-moldando nossos diálogos, debates e preferências

Os documentários O Dilema das Redes e Privacidade Hackeada (sobre o escândalo Cambridge Analítica), principalmente, determinam a crescente preocupação mundial com a abrangência e o poder das redes sociais (veja também o filme Rede de Ódio).

Se o potencial estrago psicológico que afeta particularmente os jovens já é por si só motivo suficiente para despertar preocupações e iniciativas das autoridades, há algo igualmente grave que diz respeito ao futuro das nações e à prática da democracia como regra social e política. Refiro-me à gestão de uso dos algoritmos.

O algoritmo é um conjunto de regras matemáticas que automaticamente define – a partir do seu (você, leitor!) histórico de navegação na internet – se verá uma postagem associada de produto, imagem e/ou expressão anteriormente pesquisados. Ou mentiras, por exemplo. 

A preocupação cresceu depois da perturbadora proliferação e eficácia dos algoritmos nos recentes processos eleitorais, em vários países, notadamente no tocante à produção de notícias falsas e à desconstrução maldosa de pessoas. 

Em outras palavras, seus (você, leitor!) acessos pessoais, desde uma pesquisa comercial até gostos pessoais e preferências sociais e políticas (seu provável voto nas eleições) são detectados e estimulados pelas redes. 

Neste momento, as redes sociais estão formatando nosso padrão de consumo de produtos, notícias e informações. Estão pré-moldando nossos diálogos, debates e preferências, fundamentais nas decisões individuais e coletivas. 

Ou seja, as redes sociais já estão muito além do simples negócio econômico. Estão agindo no destino intestinal das nações como se fossem uma nova forma de constituição e exercício de poder social e político.

No “banco dos réus”, em especial, os bilionários Google e Facebook. Alvo preferencial, o jovem Mark Zuckerberg (cofundador e CEO do Facebook –1,7 bilhão de pessoas conectadas!) cometeu ato falho ao admitir que “de muitas maneiras, o Facebook se parece mais com um governo do que com uma empresa”.

Para muito além das hipóteses de invasão de privacidade e monopólio comercial (outros dois importantes temas), se os algoritmos têm este poder e são capazes de determinar o rumo de qualquer assunto, a partir de determinadas preferências – predefinidas ou “compradas” por alguém interessado (ou seja, os algoritmos não são neutros e aleatórios!) –, não seria o caso de seu controle e regulação pública?

Este é o debate, uma preocupação atual e essencial de nações democráticas!

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