CONTRAPONTO 16/12/2020 15h00

Raio X político

Eleição após eleição, gestão após gestão, a marca tem sido a sucessão de monólogos eivados de promessas vãs

Quem observa as ações político-partidárias com atenção e assiduidade percebe um notório e crescente empobrecimento no campo dos debates das ideias e nas relações institucionais.

A degradação fica evidente nas alianças sem critérios e na ausência de vozes dissonantes, quer no âmbito interno partidário, quer no ambiente competitivo entre os partidos. No dia a dia (e nas eleições) vigora o neutralismo, repetitivos e não assinados “acordos de boa convivência”.

Eleição após eleição, gestão após gestão, a marca tem sido a sucessão de monólogos eivados de promessas vãs. E de debates que não são debates, haja vista a omissão e silêncio em torno das grandes e inadiáveis questões nacionais.

Líderes em permanente “estado de entendimento” e sem compromissos geram partidos fracos e, consequentemente, relações institucionais medíocres e despolitizadoras.

Sempre de olho na próxima eleição, e dissimuladamente (e na falta de argumentos), o processo eleitoral e as práticas partidárias têm se limitado a identificação, atribuição e definição de “inimigos disso e daquilo”. É o que demonstram e confirmam as denúncias, intrigas e difamações pessoais, produzidas em escala industrial.

De certo modo (e paradoxalmente, haja vista os “acordões”), isso também explica por que vigora e prospera sempre um ânimo de estabelecer uma hegemonia. É verdade que a heterogeneidade da sociedade brasileira ainda não viabilizou um pluralismo ideológico autêntico e construtivo. Mas isso “não autoriza, nem legitima” a dita e pretensa hegemonia. Tanto por ser forçada, quanto por ser medíocre!

Do ponto de vista dos ideais político-partidários e das necessidades inerentes à concepção e funcionamento de uma república é importante que as diferenças e os antagonismos apareçam. Afinal, clareza de pensamento e prática são essencialmente construtores e definidores das necessárias diferenças e suas consequentes estratégias.

É de se lastimar que os grandes partidos nacionais não tenham promovido as devidas reformas político-eleitorais, sobretudo de modo a restringir o número e o comércio (e aluguel) de legendas partidárias.

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