Da terra e da gente 01/01/2020 13h59

Ela dá o que falar

Pode ou podia muita coisa, mas não pode ser esquecida ou deixada de lado

Pode ser difícil de aprender, pode até não ser tão bonita quanto outras, pode já ter sido defenestrada por conta de perseguições em alguns momentos históricos, onde o hoje chamado bullying fazia ver e acontecer. Pode ou podia muita coisa, mas não pode ser esquecida ou deixada de lado. Refiro-me à língua alemã, que tanto diz para nossa gente e nossa terra, onde foi falada desde o início da colonização há 170 anos, tinha até jornais (o mais famoso era o Kolonie), continua presente na comunidade, mas precisa receber seguidas injeções de valor para manter a melhor consideração, de que é, sem dúvida, meritória.

O tema é alvo do Projeto Língua & Cultura, que entrou no programa dos 170 anos de imigração alemã, coordenado pela dedicada equipe de Linha Santa Cruz, berço da colonização, e que busca o cultivo da língua por meio de temas culturais. O líder do grupo, Paulo Trinks, e a professora Lissi Bender, grande incentivadora do maior uso da língua alemã em nosso meio, manifestaram o desejo de constituir associação que trabalhe de forma contínua essa questão, que é do maior interesse da comunidade local e regional.

Esteve presente no evento, realizado no dia 4 de dezembro, na Linha Santa Cruz, a candelariense Deise Steil, que é casada com alemão e vive entre os dois países, para evidenciar como foi importante para ela conhecer a língua alemã desde a infância. Aliás, o que lhe chama atenção na Alemanha é a preocupação de envolver a criança desde cedo na leitura em alemão, o que considera relevante também para nós, tanto no ensino deste quanto do português.

A língua alemã tinha importância já em mais de 150 reinos, ducados, principados e outras formações que constituíam a atual Alemanha e regiões germânicas na época da imigração para a nossa região, onde se destacou a vinda de renanos e pomeranos, como citou o professor Jorge Luiz da Cunha (UFSM), que veio para aquele encontro. O sempre presente professor Nasário Bohnen, hoje secretário da Fazenda, mas que já esteve na Educação, por sua vez, lembrou do empenho para inserção do idioma alemão nas escolas municipais e de projeto para torná-lo de forma oficial patrimônio cultural do município.

Outro santa-cruzense, que mora em São Paulo e nos visita a cada pouco, Kunibert Thurm, alto executivo aposentado que atuou na alemã Siemens e na americana General Electric, não cansa de falar como o conhecimento dessa língua foi determinante na sua carreira. Assim, por certo, há muitos exemplos a reverberar a relevância de valorizar esse patrimônio, como já fazem escolas municipais, Mauá, Unisc, Auf Gut Deutsch e outras, e que podem ser ampliados, pois isso diz respeito à nossa gente, fala de nós e por nós, junto com o português bem falado e escrito. Nos 170 anos de colonização, festejados em 2019, e na entrada de um novo ano, eis uma boa coisa para conversar e fazer ecoar.