Da terra e da gente 14/01/2020 09h58 Atualizado às 13h43

Limpeza aérea

Nas discussões sobre árvores e energia, um ponto precisa entrar em pauta: a transferência da fiação do espaço aéreo para o subterrâneo

No calor do verão e das discussões que se desenrolam sobre a poda e o corte de árvores na cidade para evitar problemas com a rede de energia elétrica, mais um ponto precisa entrar em pauta: a possibilidade de mudar a fiação do espaço aéreo para o subterrâneo. Assunto tratado ainda que por alto em outros momentos, mas quase esquecido no presente, deveria merecer a devida atenção quando se debate a convivência das árvores com as ruas e as pessoas no centro urbano santa-cruzense.
 
Embora ainda polêmica, a manutenção desta invejável cobertura verde em nossas vias urbanas coloca-se cada vez mais como algo a ser aceito como inevitável, pela sua beleza diferenciada e efeitos benéficos para a população, onde se acentua a indiscutível e agora provada influência na minimização das temperaturas desérticas que aqui se fazem sentir. A forma de fazê-lo deverá, sim, receber os adequados cuidados no plano técnico, sem, no entanto, descurar da representatividade deste patrimônio.
 
O problema em evidência seria em boa parte resolvido se a fiação elétrica, assim como de outras redes, pudesse ser transferida para o subsolo, evitando assim a competição com os galhos das árvores. E além dessa interferência indesejada, os fios e os postes em que estão fixados enfeiam o espaço urbano, o que é mais um fator a ser observado. De qualquer forma, como avalizam especialistas do setor no País, a maior segurança e confiabilidade da energia com os cabos enterrados é, sem dúvida, o grande aspecto a ser ponderado e pesado nesta discussão.
 
Esse sistema é utilizado em cidades importantes no mundo (Londres é destacada na atualidade), enquanto no Brasil ainda é pouco expressivo, mas mostra sua importância em cidades turísticas como a gaúcha Gramado, onde é adotado na área central. Em Santa Cruz, já se falou a respeito, mas, pelo que é sabido, deverá se restringir num primeiro momento à frente da Catedral, por certo um lugar turístico e representativo onde a providência é mais do que justificada.
 
Sabe-se que os custos de tal procedimento não são baixos e entraves burocráticos não são poucos, o que limita iniciativas e decisões. Mas seria importante buscar meios de avançar nesse campo na área central da cidade, junto ao tão belo e discutido Túnel Verde, onde justamente neste ano estão previstas ações mais amplas de revitalização geral e extensão do espaço. O ideal seria que uma medida dessa natureza pudesse estar inclusa neste momento de intervenção mais profunda no local, mas diante do tamanho do investimento e abrangência das definições exigidas fica-se apenas a sonhar com isso, ou contar pelo menos com previsão técnica que facilite futura ação nesse sentido. O que não deixa dúvida é de que seria resolvido um sério problema e o nosso cartão-postal ficaria completo.