Enfim, férias

14/01/2019 10:35:20

Depois de um ano de muito trabalho, correrias, algumas frustrações, mas, principalmente, de conquistas, a  expectativa de férias próximas é motivo de alegria e de ânimo. A pessoa busca suas últimas forças para deixar tudo em ordem e repassar a alguém – algum substituto ou o próprio chefe – as instruções necessárias ou macetes particulares para bem conduzir as tarefas em sua ausência. Há casos, entretanto, em que profissionais têm medo de sair de férias. Esse temor pode ser gerado: 1) pela possibilidade de perder o emprego; 2) pelo receio de não participar de decisões importantes ou da implementação de novas tecnologias e rotinas  operacionais na empresa, ficando excluído do processo; ou 3) pela descoberta de que não faz falta ou não é tão imprescindível assim. Para tentar proteger seu posto de trabalho, trancam tudo a “sete chaves”.  O cliente ainda é obrigado a se contentar com a surrada desculpa de que “fulano está de férias...”

O ideal é que as férias sejam programadas, não só o período e maneira de sua utilização, mas, principalmente, a parte financeira. Quem planeja as férias com antecedência pode escolher opções mais interessantes e com melhor custo benefício para o seu bolso. Ou seja, não se endivida nem compromete sua saúde financeira.

Quem não fez esse planejamento precisa ter mais cuidados. Afinal, mesmo estando em férias, não se pode dar folga para  o controle dos gastos porque, independente de onde estamos, as oportunidades para gastar são inúmeras. É quase impossível curtir férias, mesmo ficando em casa, sem gastar dinheiro. Mas não tem graça retornar desse período com um monte de contas a pagar. Por isso, antes de sair de férias, fazer um diagnóstico da situação financeira, 1) verificando sua realidade: identificar o que tem de compromissos financeiros já assumidos; 2) reservar dinheiro para os gastos imprevistos; 3)  gozar férias dentro de sua realidade financeira e padrão de vida; 4) estabelecer limites de gastos, com o conhecimento e envolvimento dos familiares.

Além do descanso, das viagens, dos passeios, das brincadeiras, férias em família também podem ser usadas para falar de dinheiro, discutindo algumas questões como se o dinheiro vai ser suficiente para tudo aquilo que se pretende fazer. Se a família gastar com alguma coisa hoje, terá  dinheiro  para o passeio de amanhã? É possível aproveitar esse tempo para  criar uma consciência financeira nas crianças e nos adolescentes, ensinando-os a administrar os gastos em viagem, de maneira prazerosa. Antes de iniciar o período de férias, criar uma planilha de gastos, delegando o seu preenchimento aos filhos, se já tiverem idade pra isso. Assim, eles já aprendem a rotina de anotar todos os desembolsos realizados, diariamente, pelo menos durante aquele período em que é mais fácil exercer um acompanhamento.

Mesmo tendo férias mais longas, em comparação com outros países, os brasileiros demonstram dificuldade para se desligar do trabalho; numa pesquisa, 60% dos entrevistados responderam checar seus e-mails profissionais regulamente, durante as férias. Aliás, algumas empresas até exigem que o funcionário  se mantenha conectado, ainda mais se dispõe de celular corporativo. Já alguns donos de negócios, mesmo estando numa praia, além do celular, com câmeras instaladas nas dependências de suas empresa, acompanham permanentemente o que acontece lá dentro.

Completamente fora do usual, muitas pessoas aproveitam  as férias para fazer algum curso, treinamento profissional, retiros espirituais, mudança de moradia e até cirurgias, principalmente quando forem estéticas.

Pessoas que trabalham por conta própria podem ter mais dificuldades para sair de férias, embora tenham maior flexibilidade para gerir suas próprias vidas. É preciso planejamento e muita disciplina na gestão do tempo e das atividades, antecipando prazos, não marcando ou remanejando compromissos, quando for o caso. Muitos desses profissionais precisam, também, de muita disciplina financeira, já que não dispõem do 13º salário e de outras verbas específicas, com o que contam os assalariados. 

As atividades diárias, geralmente cheias de rotinas, metas e cobranças, concorrem para as pessoas se tornarem impacientes, intolerantes, desmotivadas, “sem gás”. Por isso, pessoas normais evitam ficar longos períodos sem férias. Fazer uma parada e sair de férias, nem que seja por períodos curtos, alivia a pressão do dia a dia, permite reduzir a lista de “coisas a fazer” e ficar mais tempo com familiares e amigos, descansa e, certamente, desperta a criatividade, o que vai melhorar o desempenho na volta ao trabalho ou aos estudos. Uma série de estudos científicos tem falado da importância de descansarmos para melhorarmos nosso rendimento. As férias não precisam durar um mês ou 15 dias para serem benéficas. Um estudo da universidade de Tampere, na Finlândia, demonstrou benefícios iguais entre férias de cinco e dez dias e um mês inteiro. A maior empresa de férias sobre o mar do mundo, a Royal Caribbean, desenvolveu uma campanha de incentivo à utilização de férias, reforçada com dados que mostram que essas pessoas, quando voltam, são 82% mais produtivas, além de viverem mais e melhor. Então, não sejamos negligentes com nós mesmos: férias é um assunto sério e é bom para todo mundo. E o mais importante: a diversão não depende apenas do dinheiro, e sim das pessoas que somos e com quem estamos nesses momentos.

Postado por Francisco Teloeken- francisco.roque@viavale.com.br
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