Quer poupar mas não consegue? Confira dicas para juntar dinheiro

05/08/2019 09:42:07
Foto: Divulgação

É muito chato e até constrangedor ter que inventar mil desculpas para não pagar um prestador de serviços que acabou de resolver  um problema de vazamento de água na pia do banheiro.  Lá no íntimo, a  pessoa percebe que, embora o profissional  tenha se conformado em não receber  logo seu pagamento,  como seria  importante ter alguma reserva financeira para arcar com eventuais despesas imprevistas, às vezes de valores insignificantes. Mas, mesmo passando por  essas situações que logo serão  esquecidas,  as pessoas não conseguem poupar.

Todos já sabemos que precisamos poupar algum dinheiro ou, como dizem os americanos, salvar algum dinheiro de nós mesmos, não só para pagar pequenas despesas, mas, também, para realizar sonhos ou, ainda, para formar “um pé de meia” para o futuro.

A  maioria das pessoas simplesmente não poupa porque não consegue, por várias razões. Uma delas é o viés do presente, explicado pela  a economia comportamental. Wendy de La Rosa, pesquisadora de economia comportamental na escola de negócios da Universidade da Pensilvânia e empreendedora que ajuda startups a melhorar a vida financeira das pessoas, disse, num evento recente em São Paulo, que uma das principais causas da dificuldade de poupar é o viés do presente. Esse mecanismo psicológico faz com que se evitem sacrifícios presentes para ter benefícios no futuro. O viés do presente manifesta-se  em várias situações, quando,  por exemplo,  alguém com sobrepeso exagera na comida,  enquanto faz planos para emagrecer.

Outra razão são os anunciantes e as empresas de marketing que afetam nossas emoções a cada dia, fazendo-nos ver os nossos desejos como necessidades. “É ainda mais difícil poupar hoje em dia, porque todas as grandes empresas usam milhares de dados para conhecer os hábitos das pessoas e fazê-las consumir cada vez mais. Não é fácil resistir à tamanha tentação...”, diz a economista Wendy.

E uma terceira razão, cada vez mais forte e decisiva: o viés da visibilidade que é a influência das redes sociais, nas finanças pessoais e familiares. As novas tecnologias interferem de maneira forte  nas relações sociais. A exibição de fotos de viagens, da vida amorosa, do sucesso profissional, até do que se comeu na última refeição, etc., podem provocar inveja e causar sentimentos de infelicidade e solidão, segundo pesquisadores alemães, e levar as pessoas a fazerem a mesma coisa, gastando muitas vezes  o dinheiro que não tem.  A comparação com os outros dificulta a poupança. Se o vizinho comprou um carro novo, isso é visível; já as finanças dele  - com que recursos ou financiamentos, por exemplo, ele comprou o carro -  são invisíveis. Esse viés da visibilidade pode explicar porque as taxas de poupança pessoal,  nos EUA e outros países, estão caindo  e, no Brasil, nunca  chegaram a decolar, mantendo-se  em níveis baixos. Se não esbanjassem tanto em itens desnecessários, as pessoas poderiam economizar dinheiro ou usá-lo  para coisas mais práticas ou necessárias.

Geralmente, as pessoas alegam que não poupam porque ganham muito pouco. Em alguns casos, pode ser verdade. Mas, até esse argumento é refutado pela economista Wendy, quando ela diz que “ninguém é pobre demais para poupar, mostram iniciativas em comunidades muito carentes de países subdesenvolvidos”. Ela sabe do que está falando porque sua família foi para os Estados Unidos quando ela tinha nove anos e as dificuldades financeiras eram o tema mais frequente das conversas.

Para não ficar só em teorias, a economista Wendy sugere alguns conselhos para quem quer poupar, mas não consegue:

  1. Automatize: com a programação automática de valores poupados, não há necessidade de ter que tomar a decisão todo o mês, quando do recebimento do salário ou da renda;
  2. Comece no mês seguinte: isso reduz o sentimento de perda, que é sempre mais forte no presente do que no futuro;
  3. Corte no lugar certo: as despesas mais lembradas para reduzir são entretenimento, restaurantes, compras; mas, em vez de pensar gastar só “x” com alguma diversão, estabelecer e observar um número de vezes em que vai para determinado lugar; é possível, também, economizar nas compras de supermercado, no dia a dia, apenas diminuindo excessos e eliminando supérfluos;
  4. Preste contas:  convidar alguém para “fiscalizar” suas ações; tem que ser alguém rigoroso, que cobre resultados;
  5. Enxergue-se no futuro: pesquisas mostram que a pessoa que vê uma foto sua envelhecida, o que um aplicativo faz com facilidade, propõe-se a fazer aportes maiores em seus investimentos;
  6. Olhe em volta: embora sejam  individuais, as decisões de formar uma poupança para a aposentadoria vão afetar toda a família, no futuro.

Nos conselhos sugeridos pela economista Wendy, praticamente não existe cálculo a fazer nem preenchimento de  planilhas. Não que não seja importante, nas finanças pessoais e familiares, saber fazer algumas contas, pesquisar preços, preencher alguma planilha, ter alta escolaridade, etc. São apenas ferramentas para subsidiar uma boa educação financeira.  Os conselhos da economista Wendy, com exceção de parte do primeiro – automatize –, em que se deve calcular um valor, focam comportamentos. Educação financeira tem a ver com comportamentos com relação aos hábitos de consumo; é um modelo mental para a realização de sonhos e projetos. O segredo para poupar  dinheiro é ter projetos e sonhos que se quer realizar. Estabeleça algum objetivo, leve em conta o tempo em que quer atingi-lo e calcule o valor total, dividindo-o em parcelas mensais que irá poupar. E automatize!

Postado por Francisco Teloeken- francisco.roque@viavale.com.br
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