Dicas para comprar o carro novo

20/08/2019 09:17:57
Foto: Divulgação

Sem comprovar se, efetivamente, é verdade que “todos os brasileiros são apaixonados por carros”, como dizia um comercial de televisão, parece mais aceitável que o carro zero ou usado, enfim, o carro próprio, mesmo que alienado, é o sonho de muita gente. As ruas e estradas brasileiras, cada vez mais tomadas por automóveis, são a prova da realização desse sonho por milhões de pessoas.

Muitos ainda consideram, erroneamente, a compra de um carro como investimento. Em algumas situações, de fato é: o taxista ou o motorista de aplicativo que fazem do carro sua atividade profissional, com o que geram renda; os revendedores e locadores de carros; os colecionadores de carros raros ou exclusivos. Para a maioria, entretanto, a aquisição do carro é um gasto de valor expressivo; quando se trata de um carro novo, a revista americana Forbes, em reportagem de alguns anos atrás, afirma que “os brasileiros pagam preços ridículos por carros”.

De acordo com o jornalista da matéria, com o valor de um único Grand Cherokee, um brasileiro poderia comprar quase  três, se vivesse em Miami. Os culpados pelos preços inflados seriam os impostos e outras taxas. Independente disso, a aquisição de um carro é a realização de um objetivo, muitas vezes até antes da moradia própria. Além disso, para alguns o carro é objeto de exibicionismo, desrespeito ao próximo – som alto, direção agressiva, etc – e, também, em número cada vez maior, instrumento de mutilação e até de morte, em consequência de acidentes, eventualmente provocados por direção agressiva.

A maior parte das estratégias  de venda das lojas de carro envolve a atração do cliente. Há várias iniciativas, como promoções, feirões, brindes, promessas de juros baixos, oferta de modelos superiores pelo preço de básicos, pagamento do IPVA, tanque cheio de combustível, etc, além de vendedores treinados,  com o objetivo de colocar o cliente num ambiente propício  para realizar o negócio. Não há nada de errado nisso, afinal o sistema funciona assim e ninguém é obrigado a adquirir o carro por essas “gentilezas”.

Antes de partir para a aquisição, é fundamental observar alguns aspectos relacionados ao carro:

1) a necessidade, qualidade e segurança do veículo: nos maiores centros, as pessoas já estão considerando as dificuldades do trânsito urbano, muitas vezes parado por engarrafamentos, passando a preferir a utilização de aplicativos ou o compartilhamento de carros; 

2) levar em conta o lado emocional, conciliando o racional com os desejos e gostos pessoais e familiares;

3) avaliar as condições gerais e especificas do mercado: a demanda do modelo, anúncio de mudanças do visual ou mesmo a sua retirada de linha.

Na aquisição, uma dúvida que acomete muitas pessoas é se compra um carro novo ou um seminovo ou até usado há mais tempo. Quem tem limitações financeiras para adquirir um carro zero, pelo menos não precisa enfrentar essa dúvida, conformando-se com o que lhe é possível.

A compra de um carro novo é uma sensação maravilhosa: aquele cheirinho único de novo, sabendo que é o primeiro proprietário que está saindo da loja com aquele carro zerinho, com tudo funcionando perfeitamente, o que já elimina custos de manutenção. Eventual problema é coberto pela  garantia. Como desvantagem principal, o valor de aquisição que, tão logo o automóvel sai da concessionária, sofre desvalorização.

Já o carro seminovo apresenta como grande vantagem o valor menor da desvalorização que ficou com o proprietário que o adquiriu novo. Pelo mesmo valor de um carro novo mais simples é possível comprar um seminovo mais potente e com mais recursos. Além disso, se o seminovo ainda está dentro da garantia de fábrica, cada vez mais estendida,  eventual necessidade de troca de componentes, principalmente  de custo maior, estará coberta. Como principal desvantagem de comprar  um carro seminovo ou usado há mais tempo é o risco de levar para casa  um veículo com problemas, às vezes  desconhecidos ou mesmo escondidos.  Certamente, o consumidor terá mais trabalho para pesquisar, devendo  procurar lojas de boa reputação  e assessorar-se  de pessoas de confiança.

Muitas pessoas, depois de fazer alguns cálculos superficiais, chegam à conclusão de que determinado valor mensal de um financiamento cabe no orçamento e assumem uma dívida, não levando  em conta o conjunto de outros custos que acompanham  um carro. Poucas despesas são tão subestimadas quanto as de um carro próprio: consumo de combustível, IPVA, seguros, revisões,  pequenos reparos, estacionamento, pedágios, lavagem, eventual multa. Além disso, existem  os custos invisíveis  como a depreciação do veículo  e o custo de oportunidade, isto é, o que se deixa  de ter ou fazer com o dinheiro que é gasto com o carro. Tudo isso somado pode comprometer, facilmente, o orçamento pessoal ou familiar, exigindo verdadeiras ginásticas financeiras para dar conta dos compromissos.

Por isso, além das preocupações com  a marca e modelo, a  decisão de comprar  um carro deve ser antecedida de um planejamento financeiro pessoal e familiar, partindo de um diagnóstico financeiro atual: renda pessoal ou familiar disponível, despesas básicas do orçamento  e compromissos financeiros já assumidos. De preferência, já ter poupado um bom valor – 30%, por exemplo -,  para dar de entrada. Para quem tem dificuldade de juntar  algum valor para dar de entrada,  fazer de conta que já  assumiu um financiamento e guardar mensalmente  o valor equivalente à  prestação do possível financiamento. Ou entrar num consórcio que também é uma forma mais barata que um financiamento para adquirir um carro e outros bens.  Atentar  para  as cobranças pessoais,  familiares ou sociais que mexem com o emocional das pessoas. Segundo a psicologia econômica, a emoção está presente em todos os processos de decisão, mesmo quando, aparentemente, tratar-se apenas de avaliar  as reais condições  de comprar e manter um carro. A área de finanças pessoais é bem simples, uma certeza quase matemática, até acrescentarmos o elemento da emoção humana.  A maioria dos problemas financeiros é consequência de decisões baseadas no impulso, na emoção. A compra do carro, por exemplo, pode ser a fonte de problemas financeiros, indo de um sonho para o pesadelo do orçamento.

Postado por Francisco Teloeken- francisco.roque@viavale.com.br
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