Cuidados com os pagamentos automatizados

09/09/2019 12:17:25
Foto: Divulgação

Quem faz pagamentos de contas, em terminais de bancos, principalmente de fornecedores de água, luz e telefone, que geralmente mantém convênios específicos com as instituições financeiras, já deve ter visto aquela mensagem que aparece no monitor, sugerindo autorizar o débito automático daquele pagamento diretamente em sua   conta bancária.

Sem dúvida, a tecnologia facilita nossa vida e veio para ficar; não tem mais volta. Nas finanças pessoais, auxilia no planejamento, acompanhamento  e, principalmente, na liquidação de contas nos seus vencimentos, evitando o pagamento de juros e multas por eventuais atrasos, decorrente de simples esquecimentos. Como ganho acessório, mais tempo para o cidadão ocupar-se com  outras atividades, muitas vezes mais prazerosas. É claro que a conta bancária precisa dispor de saldo para arcar com o débito, para evitar que a conta não seja liquidada e o consumidor tornar-se inadimplente com o fornecedor de algum produto ou serviço.

Então, se de um lado oferece facilidades, de outro a tecnologia pode nos levar a gastar mais ou até sem perceber. Por isso, Conrado Navarro, fundador do Dinheirama.com, gravou um vídeo no qual ele chama a atenção para dois tipos principais de autorizações de pagamentos automatizados: as assinaturas de serviços e os débitos automáticos.

Nas assinaturas, geralmente efetuadas pelo celular ou aplicativos, estão as compras de serviços que, individualmente,  custam pouco – músicas, filmes, jogos, etc. – cujos valores são lançados, sistematicamente, na fatura do cartão de crédito de cada mês. O problema é que a soma desses serviços  pode representar um valor considerável no orçamento geral. Por procrastinação ou falta de tempo acabamos não analisando, na fatura do cartão de crédito, cada um dos valores debitados. Pior: muitas vezes, até nem  utilizamos o serviço contratado e, mesmo assim, o pagamos religiosamente.

Nos débitos automáticos, embora a maioria seja de serviços essenciais – água, luz, celular, mas  também outros como mensalidades de clubes, escolas, etc -, geralmente não analisamos a causa de eventual variação de valor, principalmente quando for expressiva. A conta de luz, por exemplo, por algum motivo, pode ter tido  um valor debitado bem acima da média dos meses anteriores; como o débito é automático, muitas vezes não nos damos conta da alteração, deixando de avaliar o motivo.

Com relação aos débitos automáticos, ainda, existe pelo menos um que é muito salutar: usá-lo  para poupar. Muitas pessoas, com pouca disciplina  ou  falta de organização financeira, autorizam a seu banco, tão logo ocorre o crédito do salário ou de alguma renda em sua conta corrente, a debitar um valor determinado e apropriá-lo em algum investimento. É uma forma de “salvar” dinheiro, antes que seja utilizado para outra finalidade.

Existem, ainda, os casos de valores de assinaturas ou débitos automáticos que são indevidos. É o caso, por exemplo, do pedido de cancelamento de serviços ou aquisição de produtos, mas que os respectivos fornecedores continuam encaminhando os débitos ao banco. Quem  já pediu o cancelamento da assinatura de alguma revista ou jornal, por exemplo, sabe que não é fácil conseguir que o débito seja efetivamente retirado da fatura do cartão de crédito ou da conta do banco, exigindo, muitas vezes, muita paciência e persistência para consegui-lo.

Por fim, não devemos demonizar a tecnologia que criou as facilidades da assinatura de serviços e o débito automático das contas. Mas, precisamos fazer a nossa parte, tendo muito cuidado  porque, como já dito anteriormente, pequenos gastos isolados, uma vez somados podem se tornar uma montanha  de valores que somem de nossa conta bancária. Ainda mais que já está acontecendo uma revolução na maneira de vender. Conforme matéria de capa da revista Exame, de 07/08/2019, a nova febre é a economia da associação: prestar serviços ou experiência e cobrar mensalidade, como num clube. Músicas, vídeos, softwares tornaram-se majoritariamente dominados pelo modelo de assinatura. O exemplo mais conhecido é a Netflix.  Num futuro bem próximo, tudo vai ser por assinatura.  Por isso, pelo menos de vez em quando, examinar  cada um dos itens relacionados na fatura do cartão de crédito ou debitados diretamente na conta corrente, avaliando o que aqueles valores estão contribuindo para a nossa vida. Se for o caso, não ter preguiça muito menos vergonha para pedir o seu cancelamento.

Postado por Francisco Teloeken- francisco.roque@viavale.com.br
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