Pós-pandemia

09/06/2020 18:20:25
Foto: Reprodução

Estamos fechando infindáveis três meses de quarentena, uma vida atípica não só dos brasileiros, mas da maioria das populações de países que já passaram ou ainda estão envolvidos com a pandemia do coronavírus. Restrições de circulação de pessoas, negócios parados, extintos ou andando num ritmo lento; eventos sociais, religiosos e esportivos, etc, suspensos ou cancelados. Tudo  por determinação de  governadores e prefeitos para combater a pandemia, com o que muita gente discorda, inclusive o presidente Bolsonaro. Uma situação inimaginável e nunca experimentada até por quem já conta com muitos anos de vida. Todos querem  voltar à vida normal. Mas, o que será “voltar ao normal”?

Neste momento, em que as autoridades começaram a autorizar a flexibilização das medidas de isolamento social, parece que a maioria talvez pense, sinta e espera que, assim que as atividades retomarem sua rotina, voltaremos ao normal a fim de tirar o atraso. Mas, provavelmente não haverá volta ao normal. Nada será como antes. Teremos que construir um novo normal, um novo jeito de viver.

Coisas simples como apertos de mão, abraços e cumprimentos com beijos (eventualmente, até três); petiscos de escritório, máquinas de café e copas; buffets, lanchonetes, máquinas de snacks e outras opções de refeições em  self-service; degustação de alimentos e bebidas em supermercados; copos e sacolas reutilizáveis para desgosto de ativistas ambientais... são alguns hábitos tão corriqueiros em nosso dia a dia, mas que, por medidas sanitárias, terão que ser abandonados, enquanto  demorar a pandemia ou até para sempre.

Conforme matéria da revista Isto É, de 1° de maio, tendências apontadas por uma pesquisa global incluem quatro áreas em que as mudanças serão permanentes  ou, pelo menos, por muito  tempo:

I – circulação em locais públicos: por algum tempo, será obrigatório o uso de máscaras, principalmente no transporte público em ônibus, metrôs, táxis e aplicativos;

II – investimentos em tecnologia – as empresas terão que investir muito para facilitar a integração digital com os consumidores, tornando o e-commerce e o sistema de delivery ainda mais estratégico, e, ao mesmo tempo, garantir infraestrutura digital aos funcionários que passarão a trabalhar remotamente;

III – home office – o que já era praticado por algumas empresas, em algumas atividades, com a pandemia foi implantado em larga escala, até por quem ainda só via o home office como uma possibilidade remota;

IV – ensino à distância – igual ao home office, o EAD veio para ficar – muitas escolas tiveram de investir em plataformas digitais para continuar a dar aulas, num movimento que não deve voltar atrás, podendo ser compartilhado com o presencial.

No meio de tantas transformações, uma diz respeito à forma como consumimos. Enquanto lojas físicas enfrentam restrições, o mercado online foi impulsionado pelo “Fique em Casa”. Os e-commerces ganharam ainda mais força e tornaram-se a melhor alternativa para quem busca continuar realizando suas compras, mas sem sair de casa. Estima-se que o comércio virtual, no Brasil, já ganhou ao menos 4 milhões de novos clientes, desde o início da pandemia.

O home office, por sua vez, se de um lado reduziu as despesas e tempo de locomoção dos funcionários, de outro vai ser um desafio para muitos proprietários e administradores de  prédios de escritórios, com ocupação reduzida, o que, obviamente, vai derrubar os aluguéis comerciais.

A retomada das atividades  vai exigir uma série de obrigações e precauções para as empresas. Alguns equipamentos de proteção deverão ser fornecidos aos funcionários que devem usá-los obrigatoriamente: máscaras descartáveis ou de tecido; viseira de proteção, além da máscara, em alguns setores; álcool em gel 70%; luvas descartáveis, a depender da função; medição da temperatura do funcionários antes de entrar no ambiente de trabalho( embora não seja obrigatório, é interessante efetuar); e o sabonete líquido.

As empresas deverão também delimitar o distanciamento físico entre as pessoas – colaboradores e clientes – de no mínimo 1 metro. No âmbito interno, modificar o ambiente das salas de descanso, copas, refeitórios e lanchonetes, respeitando o distanciamento; limitar o número de pessoas permitidas nos locais, mantendo fechadas salas de ginástica e espaços de convivência. Além disso, a limpeza no ambiente de trabalho deve ser reforçada, com  desinfecção de um turno para outro.

Quanto à saúde dos funcionários, a empresa deve monitorar qualquer alteração no quadro de saúde dos colaboradores, pela manifestação de sintomas, cuidando para evitar constrangimentos ou exposição. Havendo manifestação de sintomas, o funcionário deve buscar atendimento médico,  podendo retornar ao trabalho quando autorizado por atestado.  Neste caso, vale a legislação previdenciária que determina que, nos primeiros quinze dias de afastamento, cabe à empresa pagar o salário ao empregado. Se for o caso da ocorrência da covid-19, orientar o funcionário  sobre os cuidados que deve ter em casa para prevenir a contaminação de pessoas de seu convívio. 

O que parecia uma história exótica de uma mega cidade  da China, chamada Wuhan,  com mais de onze milhões de habitantes e da qual a maioria de nós nunca ouviu falar, alastrou-se pelo mundo e, em meados de março, desembarcou de aviões e navios no Brasil. Incialmente, foi desdenhada por muitos, inclusive pelo presidente Bolsonaro que a apelidou de gripezinha. Rapidamente, a doença do coronavírus espalhou-se, principalmente nos grandes centros urbanos, em grande parte porque as pessoas não aderiram em percentuais recomendados pela OMS (70%) ao isolamento, determinado por governadores e prefeitos. O resultado disso é que o Brasil que apenas esboçava uma recuperação da grande crise iniciada em 2013 sofrerá por mais tempo os efeitos perversos da pandemia que a maioria das nações.

Neste contexto, o país  precisaria de um líder que unisse  os brasileiros,  mostrasse  empatia pelas famílias que perderam familiares, empregos e negócios, e, de forma decidida, chamasse autoridades de todos os principais órgãos públicos e grandes empresários para organizar um verdadeiro mutirão de recuperação nacional. Cadê esse líder? 

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