Pix, uma nova ferramenta financeira

17/10/2020 16:32:24
Foto: Divulgação

Desde o fim do mês passado, o termo Pix passou a ser incorporado em nosso vocabulário, sendo repetido, insistentemente, em comerciais de bancos na TV, em jornais, revistas e, como não poderia faltar, nas redes sociais e nos comentários entre grupos de WhatsApp.

Principalmente, nas redes sociais existem informações incompletas ou erradas, teorias da conspiração ou, então, a manifestação do desconhecimento sobre o assunto, como o recente comentário do presidente Bolsonaro, respondendo a um cidadão que parabenizava o governo pelo lançamento do sistema Pix: “não li sobre isso. Não tomei conhecimento”, embora já tivessem sido postadas, no Twitter pessoal do presidente, duas mensagens a respeito do assunto; uma, em 24 de fevereiro, e outra, em 15 de agosto deste ano.

O Pix é um novo sistema de pagamentos e transferências de dinheiro criado pelo Banco Central e que deve entrar em operação a partir de 16 de novembro. É um meio de pagamento, assim como o boleto, TED, DOC, transferência entre contas de uma mesma instituição e cartões de crédito (débito, crédito, pré-pago). A diferença é que a operação poderá ser realizada em qualquer dia, a qualquer hora, incluindo fins de semana e feriados, quase instantaneamente (o Bacen diz que vai demorar no máximo dez segundos), e, o mais importante, sem custos de tarifas para as pessoas físicas. Em resumo, o recebedor terá o dinheiro imediatamente e as pessoas terão serviços bancários mais baratos.

A partir de um celular (desde que seja um smartphone) ou outros canais disponibilizados pelas instituições financeiras (internet banking, presencialmente nas agências, nos terminais eletrônicos, em lotéricas, etc), qualquer pessoa física ou jurídica que possua uma conta-corrente, poupança ou conta de pagamento pré-paga em instituições financeiras de pagamento, participantes do sistema (instituições com mais de 500 mil clientes são obrigadas) pode cadastrar-se no Pix (não é obrigatório).

A adesão é feita através do cadastro de uma chave Pix, que é um “apelido” usado para identificar sua conta; é o endereço da conta no sistema. Pode ser o CPF/CNPJ, e-mail, número de telefone celular ou chave aleatória de números, escolhidos pelo cliente. Especialistas recomendam usar a chave aleatória. Na prática, se alguém quer fazer um pagamento ou uma transferência para outra pessoa, física ou jurídica, ele simplesmente informa a chave do recebedor, não havendo necessidade de digitar aquele monte de dados (código do banco, agência, número da conta, CPF ou CNPJ); a chave vai identificar o destinatário do pagamento ou da transferência, onde estiver cadastrado.

Como novidade bancária, o Pix já despertou o interesse de milhões de brasileiros – já são mais de 35 milhões de cadastrados – e, também, de meliantes. Uma das informações erradas ou, pelo menos incompletas, que circula pela internet, mas que não se trata de golpe, diz que o Pix vai substituir o TED e o DOC, utilizados para transferir dinheiro entre clientes de bancos diferentes, com a cobrança de tarifa.

Entretanto, assim como os cartões – de crédito e débito – não acabaram com o uso do cheque, o Pix também não vai terminar com o DOC ou o TED, pelo menos por algum tempo. Há os clientes tradicionais ou aqueles que esporadicamente transferem valores que preferem usar as opções tradicionais, embora paguem tarifas por isso.

Outra mensagem, juntando-se às inúmeras teorias da conspiração, e que não passa de paranoia, alerta que o Pix seria “a marca da besta”, anunciando o fim dos tempos, com a imposição de uma nova ordem mundial, em que haveria só um governo e uma só moeda.

Antes mesmo de ser usado efetivamente, a partir de 16 de novembro, alguns cibercriminosos estão se aproveitando da novidade para aplicar golpes online, na fase do cadastramento das contas. Analistas já identificaram ao menos 30 domínios falsos para aplicar golpes, envolvendo o Pix, na tentativa de roubar dados pessoais.

Por meio de um texto chamativo que vem pelas redes sociais, e-mails e até mensagens em aplicativos de conversa e SMS, os golpistas informam os benefícios do Pix e pedem para que a pessoa cadastre sua chave. Não se sabe se o objetivo dos cibercriminosos é fraudar o Pix do usuário – o Bacen garante não ser possível – mas, certamente, no mínimo pretendem obter informações pessoais da vítima.

De qualquer maneira, ainda mais que os brasileiros estão entre os principais alvos mundiais de phishing (tentativa fraudulenta de obter informações confidenciais), especialistas da Kaspersky, empresa de cibersegurança, aconselham que os usuários tomem algumas precauções para se proteger dos golpes ao se cadastrarem no Pix:
1) Sempre verificar o endereço do site para o qual foi redirecionado, endereço do link e o e-mail do remetente para garantir que são genuínos antes de clicar neles, além de verificar se o nome do link na mensagem não aponta para outro hyperlink;
2) não clicar em links contidos em e-mails, SMS, mensagens instantâneas ou postagem em médias sociais vindos de pessoas ou organizações desconhecidas;
3) se não tiver certeza de que o site da empresa é real e seguro, não inserir informações pessoais;
4) analisar cuidadosamente as URLs das páginas com formulários que solicitam dados confidenciais; um site oficial sempre começa com “https” e com o ícone de cadeado de proteção do lado esquerdo;
5) preferir acessar a página de seu banco para efetuar o cadastro.

Por fim, trata-se de uma novidade importante que deve facilitar a vida de quem precisa pagar contas ou fazer transferências e mexer com o sistema financeiro que perderá expressiva receita com a exclusão de tarifas. Algumas questões terão que ser analisadas, individualmente, como, por exemplo, o cliente constatar que pagou ou transferiu um valor maior que o devido ou combinado. Ou, então, perceber que houve fraude em sua conta, com a utilização de sua chave Pix.

Há, também, quem veja na implantação do sistema o primeiro passo do Banco Central no caminho da substituição da moeda em espécie pelo real digital. Aliás, a pandemia do coronavírus mostrou que a circulação das cédulas de dinheiro é um dos maiores disseminadores do vírus da Covid-19. O tempo dirá.

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