Dia Mundial da Poupança

06/11/2020 11:17:50
Foto: Divulgação

Há poucos dias, em 31 de outubro, além de serem lembrados o Dia da Reforma Luterana e as brincadeiras do  Halloween - Dia das Bruxas, foi comemorado o Dia Mundial da Poupança. A data especial foi estabelecida em 31 de outubro de 1924, durante o 1º Congresso Internacional de Bancos de Poupança, em Milão, na Itália. O objetivo era  alertar as pessoas de todo o mundo sobre a segurança de deixarem aos cuidados de um banco o dinheiro poupado, ao invés de mantê-lo sob o colchão, hábito comum da população, até então.

No Brasil, o Dia da Poupança foi instituído em 1933 para conscientizar a população sobre a necessidade de guardar dinheiro e a importância de planejar suas finanças.

O Dia da Poupança não se confunde com a caderneta de poupança, aquela conta bancária que, atualmente, rende  menos que a inflação. Aliás, a caderneta de poupança, tal qual a conhecemos hoje, foi criada por D. Pedro I, em 12 de janeiro de 1861, junto com a Caixa Econômica Federal. Só para contextualizar, em 1861 a luz elétrica não havia sido inventada, a população do Brasil era majoritariamente analfabeta e ainda existia escravidão no país.

A  palavra poupar pode ser usada em diferentes situações. Quando se refere a dinheiro, desperta diversos e até contraditórios sentimentos. Para muitas pessoas, é difícil ou até impossível poupar; para outras, é coisa de pessoa mesquinha, “pão-dura”. Mas, para um número crescente de pessoas, poupar já faz parte da vida e pode ser tão ou mais prazeroso e gratificante do que, simplesmente, gastar o dinheiro na compra de algum item da moda. Na verdade, a pessoa salva seu dinheiro de si mesma, para não gastá-lo em coisas desnecessárias ou que podem esperar um pouco. Assim, um dos conceitos que melhor define o ato de poupar “é sacrificar o consumo no presente para fazer um melhor proveito no futuro”.

Economistas, consultores, autores de livros e de artigos específicos, palpiteiros, etc., inclusive em programas de rádio e televisão, orientam e insistem que devemos guardar um “x” por mês, geralmente estipulado num percentual que pode variar de 10% a 30% dos ganhos, com vistas a enfrentar alguma despesa imprevista. Raramente é definido um objetivo específico, como a faculdade dos filhos, aposentadoria, compra de um carro ou como reserva estratégica.

“Basta querer” pregam os mais fundamentalistas. Será? Se é tão elementar, por que a grande maioria das pessoas, independente do quanto ganham, não conseguem poupar uma parte do salário ou renda? Um pensamento muito comum é propor-se a guardar o dinheiro que sobrar no final do mês. Isso raramente funciona porque, simplesmente, nunca sobra dinheiro no fim do mês. Aliás, se sobrasse, não deveria ser usado para poupar.

Há pessoas que dizem que não conseguem poupar de forma alguma; às vezes, apenas conseguem pagar as contas em dia, quando não as atrasam. Mas, será que querem poupar mesmo? Há certos fatores psicológicos envolvidos: 1) ausência de força de vontade; 2) a procrastinação: sempre adiar para o mês seguinte; 3) a inércia: simplesmente, não fazer nada.

Como muitos outros comportamentos, poupar também é um hábito que pode ser adquirido e desenvolvido, evitando compras por impulso e cuidando melhor do dinheiro. Algumas dicas:

1ª) mudar um hábito por vez: não adianta querer economizar, emagrecer, fazer exercícios, tudo ao mesmo tempo;
2ª) começar a medir: ter um caderninho ou um aplicativo do celular onde anotar cada vez que agir diferente do que se propôs;
3ª) isolar o gatilho: identificar o que desencadeia a ação da compra por impulso; 
4ª) não se atormentar quando cometer algum deslize: conscientizar-se da rateada e ir em frente;
5ª) substituir o mau hábito em vez de querer eliminá-lo: levar um produto mais barato que atenda à necessidade ou ao desejo.

Poupar por poupar pode até ser uma decisão financeiramente correta, mas é fundamental estabelecer sonhos e objetivos que se quer realizar com aquele dinheiro: quitar as dívidas; comprar uma moto, um carro, uma casa; fazer uma viagem; tirar um tempo sabático; casar, separar... Enfim, são tantas opções, não importa o que, desde que claramente definidas. É que guardar dinheiro sem uma finalidade específica, na maior parte das vezes, é dinheiro que não tem dono e, portanto, se surgir qualquer oportunidade - comprar alguma coisa, emprestar  para algum familiar ou amigo - vai ser gasto. Sem objetivos ou sonhos, em algum momento podemos cansar e toda aquela disciplina pode ser deixada de lado e, como num passe de mágica, alguém que passou a vida inteira sendo uma pessoa econômica pode começar a gastar tudo que tinha acumulado e, às vezes, mais um pouco. Por isso, antes de alçar voos mais altos, é essencial fazer o dever de casa: juntar uma boa reserva financeira – o famoso “dinheiro em caixa” – para imprevistos, como o desemprego, reforma do carro, doença.

Poupado o dinheiro, é o momento de decidir o que fazer com ele. Obviamente, não é guardá-lo debaixo do colchão. As perguntas básicas, então, sempre são essas: qual é o melhor investimento, que rende mais e, claro, é mais seguro?  Existem inúmeras opções de investimentos, tanto no mercado financeiro, como fora dele. Vai depender de vários fatores, principalmente, 1º)  do perfil do investidor – se é conservador (não gosta de arriscar), moderado (arrisca um pouco) ou agressivo (gosta de adrenalina, arriscando muito);  e, 2º), dos objetivos/sonhos: de acordo com cada um deles, monta-se uma estratégia  – de curto prazo (até 1 ano); de médio prazo (até 10 anos); e de longo prazo (mais de 10 anos).

O fato de muitos brasileiros ainda preferirem a tradicional poupança com seu baixo rendimento é sinal de que falta conhecimento ou sobra receio do mercado financeiro. Por isso, antes  de realizar qualquer aplicação é necessário ter um entendimento básico sobre investimentos. Com a internet ficou fácil acessar sites especializados e as redes sociais permitem a troca de informações, cabendo ao usuário apenas cuidar para não cair em “frias”. Profissionais da área  podem  ajudar, oferecendo informações e orientações seguras. Como diz Robert Kiyosaki, autor de vários livros, dentre os quais o Pai rico, Pai pobre, “Sua mente é um dos únicos ativos do mundo que nunca diminuirão de valor. Você precisa investir em si mesmo antes de começar a investir em qualquer outra coisa.”

Concluindo, quem ainda não tem sua poupança deve saber que é arriscado ficar esperando até o dia em que vai sobrar, receber aqueles atrasados, um aumento de salário ou  uma herança... o que pode até acontecer, mas, quase sempre, demora muito ou nem ocorre, enquanto o tempo passa. Evidentemente, poupar não é o objetivo em si mesmo, mas um hábito para alcançar um fim maior. Por isso, a proposta da metodologia da DSOP Educação Financeira prevê que, tão logo o salário ou a renda entram na conta do banco ou, em espécie, no bolso, a pessoa ou família pagam-se em primeiro lugar, apartando os valores destinados à realização de sonhos/objetivos e os aplicam em algum investimento.

Postado por Francisco Teloeken- francisco.roque@viavale.com.br
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