Pimenta, sim!

07/09/2018 22:49:21
Foto: Divulgação

As pimentas são conhecidas há séculos e foram incorporadas aos costumes alimentares entre diferentes povos. Originárias das Américas do Sul e Central – basta lembrar do México – chegaram ao Oriente e caíram no gosto, sobretudo, dos tailandeses.

No Brasil, as pimentas também são conhecidas e fazem parte da cultura gastronômica em diversas regiões. Quem não ouviu falar ou experimentou o acarajé baiano e seu sabor único? Regionalismos à parte, a pimenta hoje está presente desde os pratos mais simples aos mais sofisticados, no chocolate, geleias e até na cerveja.

Apesar disso, a produção e beneficiamento só passaram a despertar interesse do mercado nos últimos anos. O número de empresas especializadas nesse ramo ainda é pequeno. Por outro lado, as perspectivas para quem se dedica à atividade são promissoras.

Um dos exemplos recentes está em Santa Cruz do Sul. Depois de se encantar com a variedade, benefícios e possibilidades de aplicação das pimentas durante viagens internacionais com a família, as sócias Marcleide Steffens e Giani Fischer decidiram, após quase três anos de planejamento e pesquisas, que havia espaço para investir na atividade.
Foi a partir daí que, no começo deste ano, iniciou-se a comercialização dos molhos Pepper Foods, os quais nasceram com um conceito que dialoga muito bem com a gastronomia contemporânea. Para assegurar um produto com qualidade superior, no entanto, elas viram que era necessário ir além do simples processamento das pimentas.

Por meio de parcerias com produtores da região, a produção começa na hora do cultivo com a seleção das sementes, preparo das mudas e manejo, tudo realizado no ambiente protegido de estufas. Para começar foram escolhidos três tipos de pimenta: a dedo de moça, a Jalapeño (pronuncia-se jalapenho) e a Habanero. Delas, surgiram cinco diferentes molhos (veja quadro) que passam por um processo de produção com técnicas inspiradas nos processos desenvolvidos pelas vinícolas e fabricantes de cervejas artesanais. E isso envolve, além do cultivo, o próprio ambiente e equipamentos para processar as pimentas, que passam por fermentação natural em barris até que os molhos fiquem prontos para o consumo.

Por que arde?

A característica mais marcante das pimentas de um modo geral é o sabor, que vem acompanhado de uma série de mitos. Não é raro se ouvir relatos de que seus efeitos podem ter consequências devastadoras, ainda mais quando consumidas em excesso. Mas a sensação de ardência se dá por um processo complexo no corpo humano. Quando a pimenta entra em contato com a língua, ela libera as capsaicinoides – substâncias presentes na semente. Imediatamente é ativado um receptor de dor do cérebro, denominado de nervo trigêmeo. Como o próprio nome já diz, esse nervo liga três órgãos: a boca, o nariz e os olhos. É daí que se explicam a irritação no nariz, os olhos lacrimejando, além da ardência na boca. Terminado esse ciclo, resta a sensação de bem-estar a satisfação. (Com informações do site Brasil Escola)

Agradou

Quando os molhos da Pepper Foods chegaram ao mercado, um dos primeiros a experimentar foi o empresário Alessandro Coletto, que tem um food truck junto ao Food Park ao lado da Praça da Pasqualini. No local, além de cachorros-quentes gourmet e tradicional, os clientes encontram tábuas de petiscos. “Estávamos acostumados a oferecer molhos de pimenta fabricados em São Paulo. Ao conhecermos o produto feito aqui na cidade, percebemos os diferenciais e a qualidade. Agradou de primeira e agregou valor ao nosso produto”, ressalta. Entre os molhos preferidos pelos clientes, segundo ele, estão o agridoce, mas todos são sempre bem-vindos.

Os molhos

Sweet Chilli Agridoce
De origem tailandesa, é agridoce e levemente apimentado. Na sua elaboração, são valorizados os compostos de aroma e sabor de cada ingrediente, capazes de conferir picância suave com sabor adocicado e notas cítricas. Combina com: peixes, frutos do mar, carne suína, carne de ovelha, frango, aperitivos e ainda cai bem com sanduíches, pastéis e saladas.

Molho Sriracha Original
Inspirado nas receitas da culinária asiática, apresenta um sabor complexo. É produzido com polpa de jalapeños maduros que passam por um processo fermentativo natural, conservando a qualidade da pimenta, realçando a sua cor natural, dando um sabor único, de picância moderada. Combina com: devido suas características e versatilidade, é indicado para todos os tipos de refeições.

Stout’n Pepper Original
Tem uma combinação única que leva cerveja preta do tipo Stout produzida com ingredientes selecionados exclusivamente para entrar na composição do molho, que tem um mix de pimentas Jalapeños e Habaneros fermentados. Com sabor intenso e picância que varia de médio a forte, destaca-se pelos aromas marcantes, como café, amêndoas e carvalho. Combina com: carnes em geral

Molho de Pimenta com Morango
Nascido de uma ideia ousada, combina morangos e pimentas de uma forma tão harmoniosa que mais se parece uma geleia. Preserva o sabor agridoce do tradicional molho Sweet Chilli com o sabor leve e adocicado do moranguinho. Destaca-se pelo grau de picância baixo e agrada a todos os paladares. Combina com: queijos, torradas, bolachas salgadas e doces, petiscos e sorvetes.

Habanero Peach
Feito para quem não abre mão de um toque mais marcante nos pratos, traz picância forte das pimentas habaneros com a suavidade do pêssego. Combina com: todos os tipos de comidas e carnes.

Onde encontrar: os molhos estão presentes em supermercados, casas de carnes, restaurantes e lancherias da região. Também já são encontrados em cidades como Porto Alegre, Gramado e em breve estarão disponíveis nas principais capitais brasileiras.

Picante que faz bem

Mais do que o sabor marcante, as pimentas de um modo geral podem trazer benefícios. Diferentes estudos comprovaram que elas têm atividades antimicrobiana, anti-inflamatória, anticancerígena, melhoram a digestão, diminuem os níveis de colesterol e ainda, graças ao efeito termogênico, aceleram o metabolismo e podem contribuir para o emagrecimento.

Provamos

Por Dejair Machado

Boa parte das crianças da minha geração cresceu ouvindo que, se falasse palavrão, iria comer pimenta. Abstraindo-se da prática pedagógica duvidosa, a ameaça repetida à exaustão pelas mães fez com que muita gente crescesse sem arriscar pensar ou sequer emitir qualquer comentário inapropriado. Por outro lado, fez com que muitos chegassem à adolescência e idade adulta com receio de provar um prato apimentado.

O bom é que, com o tempo, é possível desconstruir conceitos e experimentar o novo. Foi isso que aconteceu durante entrevista para conhecer a Pepper Foods. Depois de ouvir a história e vocação empreendedora das empresárias, sentir o aroma característico e – mesmo sem ter nenhuma experiência na área – conseguir identificar as notas de chocolate da Stout’n Pepper ou a suavidade do molho composto com morango, foi a vez de provar.

O primeiro passo é observar a graduação no rótulo. Começa com um e vai a cinco. Quanto maior, maior a picância. Então, para iniciar, vale provar as mais suaves e depois ir avançando, quase como num jogo em que se passa de fase.
Logo no primeiro contato do molho com a boca, aquela sensação de ardência suave que se irradia acompanhada do sabor. Numa fração de segundos, tempo que leva para o cérebro processar a ação das capsaicinoides, vem o retorno em forma de uma agradável experiência gastronômica. Passado esse momento, retorna a vontade de provar cada um dos molhos e sentir a satisfação de uma refeição com misto de descoberta. 

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