Superando obstáculos na amamentação

16/09/2019 09:54:26
Foto: Marcelo Matusiak

A amamentação é uma das bandeiras da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SRPS). Em todas as situações consideradas especiais para o aleitamento materno o pediatra deve ser procurado para orientar o melhor manejo de modo que a amamentação seja mantida, mesmo em situações adversas.

O médico pediatra Leandro Meirelles Nunes afirma que é natural a angústia das mães e, por isso, é fundamental que ela se sinta acolhida e tenha uma relação de confiança com o médico para superar qualquer dificuldade.

Ele lembra que para todos os mamíferos a amamentação é um ato natural, menos para espécie humana. As mães devem, portanto, ser escutadas em suas dificuldades, incentivadas e auxiliadas no processo de amamentação.

“No caso de mães que tenham bebês prematuros e que necessitem de internação em unidade de terapia intensiva neonatal, é importante que a mãe inicie o ordenha do leite materno nas primeiras horas após o parto, a fim de manter a produção do leite e que este seja armazenado em bancos de leite para posteriormente, quando em condições, o bebê receba o leite de sua própria mãe”, explica.

O médico esclarece que no caso de fenda palatina e lábio leporino, se a mãe adotar a posição de cavalinho durante a amamentação (o bebê ficar sentado em uma das coxas, de frente para a mama, com a mamãe apoiando suas costas), a amamentação não trará qualquer risco ao bebê.

Essa posição, por vezes, é muito útil também nos casos de prematuridade e hipotonia do bebê. Quando ocorrem disfunções orais será necessária avaliação detalhada por parte do pediatra, em conjunto com a fonoaudiologia, a fim de planejar a melhor estratégia para o sucesso do aleitamento materno.

Outro cenário desafiador é o de gêmeos ou crianças com idade muito próximas. O alerta é que pela natureza da mãe é possível que tenha leite suficiente para amamentar duas crianças ao mesmo tempo.

“No caso de uma mulher que estiver amamentando seu filho engravidar novamente não é necessário que ela interrompa a amamentação durante essa nova gestação. Exceção a isso seria a mulher que comprovadamente esteja em trabalho de parto prematuro. Após o nascimento do bebê, ela pode manter a amamentação para os dois filhos, desde que o bebê seja o primeiro a receber as mamadas”, acrescenta.

Para mães adotivas, também é preciso cuidado. Mães adotivas que tenham o desejo de amamentar podem produzir leite para alimentar seu filho. Para isso, deve-se fazer um trabalho de aconselhamento, a realização de relactação e por vezes pode ser necessário o uso de medicamentos que estimulem a produção de leite.

O médico Leandro Meirelles Nunes é professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS e membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Postado por MICHELLE TREICHEL- michelle@gazetadosul.com.br
Gazeta Grupo de Comunicações
Rua Ramiro Barcelos, 1206 | Santa Cruz do Sul - RS
(51) 3715-7800 | portal@gaz.com.br
Desenvolvido e Mantido por
Equipe de TI Gazeta Grupo de Comunicações