Linha Fão 27/11/2018 13h48 Atualizado às 19h43

8ª Semana da Consciência Negra reúne público de mais de 200 pessoas

Evento foi realizado entre 20 e 23 de novembro, na comunidade quilombola de Arroio do Tigre

Promovida pela Associação Quilombola Linha Fão, com o apoio da Emater/RS–Ascar e Prefeitura de Arroio do Tigre, a 8ª edição da Semana da Consciência Negra reuniu, entre terça e sexta-feira da última semana, um público total estimado em 200 pessoas. A abertura ocorreu em pleno Dia da Consciência, com a presença do vice-prefeito Vanderlei Hermes, do presidente da Câmara de Vereadores, Francisco Bernardy, da presidente do Conselho Municipal de Saúde, Vilma Telöken, além de secretários municipais, extensionistas da Emater/RS-Ascar, entre outros.

Marlise Borges, primeira presidente da Associação Quilombola Linha Fão após sua formalização, em 2013, e Adriane Fiuza Bueno, atual presidente, agradeceram o empenho dos demais membros da diretoria e famílias quilombolas na organização e realização das atividades, bem como aos visitantes. Após a abertura, ocorreu apresentação dos alunos das escolas Vitalino Muniz e Jovino Ferreira Fiuza, bem como da Eeemat, todos auxiliados por mulheres quilombolas, sob a coordenação de Alendiomara Rodrigues e sua filha Pâmela, voluntárias na organização do Grupo “Capoeirando”. A primeira tarde de atividades se encerrou com trilha guiada pela encosta até o Rio Caixão, o qual é muito importante para o cotidiano das famílias quilombolas.

Na quarta-feira, 21, houve o “Seminário Integrador: práticas junto à Comunidade”, que reuniu as famílias quilombolas de Linha Fão e as que residem em outras localidades do município a apresentação da Avaliação Coletiva do Programa Fomento às Atividades Produtivas Rurais – Ano I, o qual é executado pela Emater com 15 famílias. Foram relembrados os critérios para a participação no Programa, bem como a fase inicial e atual de cada família, com a implantação de projetos produtivos.

Foram elaborados 13 projetos de avicultura no sistema colonial: corte e postura, sete projetos de horticultura, dois de fruticultura, dois projetos de artesanato e um de suinocultura, os quais visam à diversificação da produção e consumo de alimentos saudáveis, bem como a agregação de renda para as famílias, com a venda do excedente. As famílias ainda realizaram a avaliação do referido programa até o momento, visto que ele terá continuidade até dezembro de 2019 com a continuidade do assessoramento aos projetos, bem como a realização de capacitações técnicas sociais e produtivas.

Houve ainda explanação da equipe técnica da Secretaria da Saúde sobre as atividades realizadas junto ao ESF Unidos pela Saúde de Sítio Alto, o qual é referência para as famílias quilombolas, bem como foram agendados exames relacionados ao Novembro Azul. O almoço ocorreu junto à Comunidade, custado com recursos do Programa Municipal da Saúde da População Negra, desenvolvido pela Secretaria da Saúde, seguido por palestra com Cristiana Rodrigues Motta, psicopedagoga de Sobradinho, a qual foi convidada pela Secretaria Municipal da Assistência Social de Arroio do Tigre. Cristiana emocionou a todos com sua fala “Caminhos que levam a superação”.


Acolhida
A quinta-feira foi destinada aos visitantes. A diretoria da Associação Quilombola e Emater/RS–Ascar acolheram integrantes dos programas desenvolvidos com a Melhor Idade do município, bem como membros do Grupo de Agricultoras de Sítio Alto com uma contextualização sobre a comunidade e suas famílias, apresentação do Grupo Capoeirando e trilha guiada pelas belezas naturais de Linha Fão, até o Arroio Caixão.

A edição se encerrou na sexta-feira, com Celebração Ecumênica promovida pela Secretaria da Assistência Social, com a participação do pastor André Novaes. Logo após, as 11 famílias beneficiárias do Programa de Aquisição de Alimentos receberam as cestas da nona etapa do referido programa, as quais contam com cerca de 35 quilos de alimentos cada, todos produzidos por agricultores de Arroio do Tigre.

A 8ª Semana da Consciência Negra foi muito positiva para a Comunidade Quilombola Linha Fão, devido ao engajamento das famílias quilombolas e das instituições que as assessoram, bem como pelo número de visitantes. É uma comunidade pequena, com muitas dificuldades, mas muito receptiva e acolhedora, a qual vem desenvolvendo sua autonomia e, assim, fortalecendo-se ano a ano. As famílias de Linha Fão se propõem a abrir as portas da comunidade e de suas casas para que os visitantes vejam suas potencialidades.