Cineclube 17/06/2019 22h31 Atualizado às 08h16

Amigos do Cinema exibe "Um Instante de Amor" nesta terça

Filme com Marion Cotillard é da diretora Nicole Garcia

Em Cannes, em 2017, a diretora Nicole Garcia contou, na coletiva de Um Instante de Amor, o que a atraiu no livro, breve e conciso, de Milena Agus. “Foi a própria natureza de Gabrielle (a personagem), mulher feita desejo que não se reprime e reza a Jesus pedindo que lhe dê ‘la chose principale’. A expressão mexeu comigo. Essa coisa é o sexo, mas também é sagrada. Nós, mulheres, não somos estimuladas a externar nosso desejo, e menos ainda dessa maneira franca e direta.” E a atriz Marion Cotillard: “Gabrielle é meu papel mais incandescente. Nunca havia interpretado uma mulher como ela, que ‘queima’ com tanta intensidade”.

O filme será exibido nesta terça-feira, a partir das 20 horas, em mais uma sessão especial da Associação dos Amigos do Cinema de Santa Cruz do Sul. Ela acontece na sede do Sindicato dos Bancários (Sindibancários, na Rua Sete de Setembro, 489), com entrada franca.

Havia em Cannes naquele ano grandes papéis femininos. Isabelle Huppert em Elle, o thriller de Paul Verhoeven, Sonia Braga em Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e Marion, no filme de Nicole Garcia e também no de Xavier Dolan, É Apenas o Fim do Mundo. O júri presidido por George Miller preferiu atribuir seu prêmio à filipina Jaclyn Jose, pela mãe de Ma’ Rose, de Brillante Mendoza. Uma escolha defensável, honesta, mas Isabelle, Sonia, Marion...

“Apesar de toda a evolução dos costumes, vivemos num mundo que ainda é masculino”, diz a diretora. “Um homem falar sobre o seu desejo, nomear a ‘chatte’ de uma mulher está na ordem natural das coisas. Gabrielle rezar pelo sexo e nomeá-lo como a coisa principal subverte o mundo matriarcal, mesmo que seja sua mãe no comando.” Gabrielle passa a incomodar. É louca. A mãe lhe apresenta seu ultimato – um casamento de conveniência ou a internação.

The Hollywood Reporter, elogiando o filme de Nicole Garcia, expressou a incompreensão de que ele foi vítima em Cannes. A revista falou no romantismo delirante, no classicismo de bom gosto. Se Um Instante de Amor é clássico e romântico, isso é só uma aparência. O relato em flash-backs, o antinaturalismo das interpretações e a crueza de certos diálogos e situações, tudo aponta para o sentido inverso.

De resto, Nicole já inicia seu filme em alta voltagem. Gabrielle, sem calcinha, se refresca na água corrente do rio. Louca de amor, ou por sexo? É curioso que os dois homens pelos quais Gabrielle arde, o professor e, depois, o militar, lhe deem livros. E Nicole Garcia disse uma coisa essencial: “Gabrielle quer ser vista e lida por um homem. No fundo, tenho a impressão de que também é o que eu quero, como artista. Ser lida e reconhecida de uma maneira que eu mesma não consigo fazer.”

Sinopse

Gabrielle (Marion Cotillard) não sabe lidar com seus impulsos sexuais. Preocupada com a sanidade mental da filha, a mãe arma o casamento dela com José (Alex Brendemühl). Após sofrer um aborto e descobrir problemas renais, Gabrielle vai se tratar durante algumas semanas numa clínica e encontra a paixão que jamais teve pelo marido em um tenente à beira da morte (Louis Garrel).


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