Cineclube 24/06/2019 22h18 Atualizado às 08h19

Amigos do Cinema exibe filme de Pablo Larraín nesta terça

"No" é baseado na obra de Antonio Skármeta e estrelado por Gael Garcia Bernal

Tudo o que diz respeito ao escritor chileno Antonio Skármeta nos interessa. Ele é uma espécie de cidadão santa-cruzense honorário que trafega pelo mundo proferindo palestras e autografando suas obras. E, sempre que tem a oportunidade, ele comenta de seu carinho pela cidade e pelas pessoas que aqui conheceu. Ele foi patrono da nossa Feira do Livro; participou de uma coletânea de contos com escritores locais (e foi no lançamento, em Porto Alegre); gravou disco em parceria com um músico local (o Killy Freitas); aqui ele se encontrou com o diretor Selton Mello e juntos fizeram um filme...  

E nesta terça-feira, mesmo que de uma forma indireta, mais um encontro se dá entre a nossa cidade e Skármeta. Desta vez, promovido pela Associação dos Amigos do Cinema de Santa Cruz do Sul, que exibe a partir das 20 horas, na sede do Sindicato dos Bancários (Sindibancários, na Rua Sete de Setembro, 489), com entrada franca, o filme NO. Trata-se de uma produção chilena lançada no ano de 2012, dirigida por Pablo Larraín e baseada em uma peça de teatro inédita de Skármeta, El Plebiscito. O filme é estrelado por Gael García Bernal e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Anos antes, em 1996, um outro filme escrito por Antonio, O Carteiro e o Poeta, ganhou o Oscar de melhor trilha sonora original.

Foto: Divulgação

 

NO narra a história de René Saavedra (Gael García Bernal), publicitário acostumado a criar inúmeras peças para a agência que trabalha. No momento em que o povo chileno é chamado para votar em um referendo pela permanência do general Augusto Pinochet no poder, e seu chefe está trabalhando na campanha do “Sim”, René recebe o convite para integrar a equipe do “Não”. Sua missão: criar filmes e materiais promocionais que convençam a maioria do povo chileno a votar “No” “, interrompendo dessa forma a ditadura no país.

Para dar início ao processo revolucionário é chamado o Comandante Cadera (interpretado por Diego Morera), um famoso membro do Exército que, pela bravura demonstrada em combate e por ser um extremoso pai de família, fica responsável por ser o homem do leme conduzindo o país rumo à independência e à liberdade.

Pablo Larraín, 42 anos, é co-fundador da produtora Fábula, empresa na qual desenvolve seus projetos cinematográficos e publicitários. NO é seu quarto longa-metragem. Em 2013, foi nomeado como membro do júri no 70º Festival Internacional de Cinema de Veneza. Outro premiado filme do diretor, O Clube, estreou em 2015 e venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Berlim. Em 2016 foram lançados dois filmes sob sua direção, Neruda, representante do Chile na disputa do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2017, e Jackie, que narra a vida de Jacqueline Kennedy nos dias após o assassinato de seu marido.

UMA QUESTÃO

Mix – Em 2012, quando lançou NO, é verdade que você foi criticado porque seus pais eram de direita, seu pai era senador?  
Pablo Larraín
– Sim. Quando você realiza filmes como NO, as pessoas esperam que o filme se torne uma obra internacional – e conte a história para aqueles que não a conhecem. E, às vezes, o filme não produz esse efeito e isso as perturba. Lembro de um indivíduo que qualificou o filme de lixo ideológico. Eu o achei excelente. Mas o cinema não é para isso. Não estou aqui para dizer às pessoas o que elas têm de pensar, não quero mudar nada. Nem me sentir responsável. Não creio em responsabilidade. Acredito em respeito, o que não é o mesmo.

Foto: Divulgação