O pêndulo do relógio 23/11/2016 10h22

Novembro bate o pique

Acredito que o gosto pelo sobrenatural também pode ser o desejo de Deus em algumas pessoas

O mano Pêndulo amanheceu emburrado. Detesta ter que andar para trás, embora às vezes seja preciso. Tanto quanto navegar em outros mares, para pensar grande.

Vinte e três de novembro registra fatos merecedores de reflexões. Festeja-se o engenheiro eletricista. Aproveito para cumprimentá-los na pessoa do cunhado João Antunes de Souza. Por mais de três décadas jamais soube o que é ter um Natal, ou Reveillon descontraído. No Sudeste, também é tempo de chuvas e tempestades. Para os profissionais do ramo, líderes de empresas fornecedoras de energia elétrica, os celulares não param de tocar. 

Hoje também é o Dia do Combate do Câncer Infantil. Coisa dolorosa o sofrimento de inocentes. Que os transforma em anciãos. Em sábios. Os planos de Deus, a Infinita Surpresa, são inefáveis...

Há uma proliferação de livros e filmes cujas telas exibem crianças em leitos, sem cor, mas com muita garra. E tudo isso ao lado de películas mirabolantes e inconsequentes sobre o Mal. Exorcismos, demônios, monstros e poltergeist .  Basta ligar as tevês por assinatura e eis shows de décadas explorando o referido tema. Com audiência incrível.  
Bem sabemos que o Mal – ao contrário do Bem – não tem força em si mesmo. Mas nos consentimentos e escolhas humanos. Daí guerras, fratricídios, desespero...

Acredito que o gosto pelo sobrenatural também pode ser o desejo de Deus de algumas pessoas perdidas, nestes tempos de valores cambiantes. A necessidade visceral de ter certeza de que há algo além do supermercado, das dietas mirabolantes, sexo idealizado e grifes... De que vale a pena viver.

Dia 20 foi a festa de Cristo Rei do Universo. Na liturgia, a última semana do Tempo Comum. Dia 27 será o primeiro Domingo do Advento, com sua bela Coroa verdinha herdada dos luteranos. Cuja contemplação nos faz refletir sobre nossas escolhas. 

Domingo passado, o Papa encerrou o Ano Santo Jubilar. Será que fomos verdadeiramente misericordiosos? Ou apenas acompanhamos pela mídia , com pipocas, a exortação do sumo pontífice – que vale para pessoas de todas as religiões e culturas – como assistimos a filmes fantásticos?!

No mesmo dia, comemorou-se a Consciência Negra. Trata-se de uma grande tomada nacional de Consciência. Com letra maiúscula. A cultura brasileira reflete a contribuição inefável de homens e mulheres africanos arrancados de sua terra na calada da noite. Tal qual o processo que condenou Jesus. Sem qualquer contraditório. Mesmo assim, pessoas que trouxeram suas almas costuradas na Alma Coletiva que tanto construiu a cultura do Brasil. E isso merece respeito, minha gente. Viva Machado de Assis: um dos maiores gênios da literatura do planeta! E viva, também, tudo o que quer dizer, no Rio Grande do Sul, o mito do Negrinho do Pastoreio. 

Dia 22 foi em memória de Santa Cecília: padroeira dos músicos. Artistas que, apesar de todas as adversidades, insistem em seguir louvando e tocando. E cantando. Coisa totalmente de Deus. Que – é o que testemunha D. História – também sofre com a iniquidade cega de nós, as teimosas criaturinhas.