O pêndulo do relógio 21/12/2016 08h46

Frohe Weihnachten!

Entre isso e aquilo, milhões de sedentos de dignidade nacional nas ruas, e que agora parecem recitar Drummond

Estamos na Semana Santa do Natal. A saudade leva a cronista, pelo braço, à nossa Santa Cruz. Florida e bela loirinha que toma chimarrão e samba no pé.
   
Amigos; cerros azuis ao longe; a catedral neogótica, antigas igrejas luteranas... O Velho Mundo, nos trópicos, temperado com desejos encalorados de noites suaves. Delícia verdadeira saborear cuca com linguiça, bebericando soluções que redesenham a História. Com direito a sorvete, claro, à beira do rio.

Outro ano marcha para a eternidade. Exorta-nos a rezar pela virtude da fé, cochicha o mano Pêndulo do Relógio. Aborrecido com imagens repetidas de velhos Santa Claus e seus balofos “Ho, ho, ho”. 

Nada contra o gorduchinho.  Mas que fique lá, no lugar dele. Ajudando nas vendas. Sem essa de furtar o verdadeiro sentido do Natal. Ou da bela árvore verdinha tão contemplativa. 

Advento é a época de espera do Amor incondicional que se reveste totalmente da condição humana e vem até nós; bem complicadinhos e descumpridores de alianças... mas o amor não desiste de seguir amando, diz o poeta.

Tanta coisa, em 2016... Entre isso e aquilo, milhões de sedentos de dignidade nacional nas ruas, tingindo-se de verde e amarelo, e que agora parecem recitar silenciosamente Drummond de Andrade. “E agora, José? José, para onde?”
Rezemos juntos pelo Brasil.

Precisamos ancorar nossas existências em terras que não desapareçam – pluft – feito o Papai Noel, depois do balanço das lojas. Precisamos de solidez e solidariedade. Do Absoluto que é o único que verdadeiramente É. Porque o resto passa, feito os dias de comilança.

Nesta Semana Santa do Natal – que teve início na data em que o papa Francisco bateu 80 vezes no pique de chegada deste lado da vida – dia 17 passado – esperamos o Mistério. Na certeza de que, apesar das adversidades, continuaremos cantando um cântico novo.

E entoamos as “Antífonas do Ó”. Sete expressões maravilhadas (daí a interjeição) em forma de epítetos do Eterno. Ó Sabedoria, Ó Adonai, ó Raiz de Jessé, ó Chave de Davi, ó Sol do Oriente, ó Rei das Nações, Ó Emanuel. 

É o Mistério Libertador que se faz carne e habita entre nós. O que conduz à salvação. Que é imortal Sabedoria. E o Senhor; o descendente prometido. Que abre as portas para todas as nações. O Sol nascente; Soberano da humanidade como um todo; Rei de todas as culturas e povos; o Deus conosco. E o totalmente outro – também.

Aqueçamos a esperança. Assim como aquecemos a água para o chima. E não tenhamos medo de perseguir nossos sonhos de amor. Desprezemos o canto das sereias. Belas, a luz do corpo. Pelos olhos da alma, não mais que monstrengos que querem, mesmo, nos afogar no mar do desespero.  Contemplemos a verdadeira Luz. Que nos exorta. “Coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16,29-33). 

Queridos leitores: a todos nós desejo um feliz Natal! FROHE WEIHNACHTEN! Que 2017 nasça em nossos corações no compasso do Menino Deus.