Happy hour 29/09/2019 23h48 Atualizado às 10h42

Acidente doméstico

Já dei pequenas batidas com meu automóvel por pura distração

Já dei pequenas batidas com meu automóvel por pura distração. Principalmente aquelas raspadinhas no pilar ou mesmo no portão. Meus amigos brincam comigo: dizem que já poderia comprar um carro novo pelo que já gastei em consertos. O meu atual carro não tem nem 10 mil quilômetros e já visitei a oficina para pequenos reparos.

Tenho uma ampla área anexa à casa com garagem para dois carros e uma escada de dois degraus que separa o salão de festas e o espaço que uso para assistir a meus programas de televisão, principalmente noticiários, séries e jogos de futebol.

Outro dia aconteceu-me algo inusitado. Apressado, meu chinelo de couro resvalou do pé, tropecei no primeiro degrau e caí feito um saco de batatas na parte mais baixa. A sorte é que consegui escorar meu corpo com o braço esquerdo, evitando que batesse com a cara nas lajotas.

A esposa escutou o baque, mas pensou que fosse outra coisa. Anunciei o desastre aos berros. Queria levantar-me, mas não conseguia. Os joelhos sangravam e o braço que usei para amenizar o impacto, não tinha força. A Lizete fez uma tentativa de me erguer. Magrinha, na primeira, não conseguiu, apesar de adorar academia, pilates e dança na Aliança. Continuei deitado, sentindo dores atrozes. A socorrista pediu que me sentasse no primeiro degrau. Arrastei-me e consegui colocar ali o meu traseiro. Na segunda tentativa de levantar-me com a ajuda da esposa, fui até a metade da subida e despenquei mais uma vez, quase acontecendo uma tragédia maior, com os dois esparramados pelo chão. Depois de duas tentativas e uma desistência, consegui me erguer.

O meu calvário apenas iniciara. Após duas semanas, fui consultar com o médico, que fez testes e solicitou uma ressonância. No Radson, a jovem que me atendeu deu-me um saquinho de plástico para colocar todos os metais que estivesse usando. Se tivesse alguma prótese dentária, teria que deixá-la no armário. Ainda bem que não uso. Ficaria esquisito. Não estava gostando dessa prévia.

Finalmente, levaram-me para a sala. O aparelho parecia uma máquina do tempo. A enfermeira perguntou-me se sentia pânico em ambientes fechados. Diante da minha negativa, taparam meus ouvidos (já sou surdo; mais o tampão, duplicou a minha surdez), deram-me um alarme para acionar em caso de desespero e lá fui eu para o interior do tubo. Fiquei solitário na sala e as enfermeiras saíram de lá.

Alguém me disse que ouviria uma música suave, porém nada escutei. As profissionais se comunicavam comigo, mas não entendia. Confesso que só ouvi uns sons estranhos: moto com a descarga aberta; caminhão subindo a Cava Funda em primeira. Horrível, apesar dos tampões nos ouvidos.

Resultado da ressonância: rompimento parcial de um tendão do ombro. Fisioterapia intensiva, só que as dores continuam.