Santa Cruz 15/02/2019 09h35

Ensino da computação exige professores capacitados

Seminário no auditório da Assemp apontou para a necessidade da implementação do conteúdo em sala de aula

Inquieto com a deficiência na formação de profissionais capacitados para a área da computação, o Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Comciti) promoveu nessa quinta-feira, 14, o seminário Educação e computação – preocupação com nosso amanhã. O evento, no auditório da Associação de Entidades Empresariais de Santa Cruz do Sul (Assemp), revelou que é necessário preparar os professores para a implementação das disciplinas de computação no currículo.

Conforme a pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Leila Ribeiro, em vários países o conteúdo de informática já está difundido nas escolas. “Falta hoje uma sistemática organizada para que esse ensino seja implementado.” Leila, que é integrante da Sociedade Brasileira de Computação, revela que esse levantamento de conteúdos já foi organizado pelo Ministério da Educação. A maior necessidade agora é investir na formação dos docentes. “A gente precisa de professores que consigam transmitir os conceitos de computação. É mais fácil comprar computadores e montar o laboratório do que capacitar os educadores.” Leila, que foi a primeira palestrante, observa que o ensino de computação já existe na rede privada de ensino, em diferentes lugares do Brasil.

Porém, ainda não está em discussão na escola pública. “Com o tempo, isso só aumentará as desigualdades, pois a mão de obra que domina esse conteúdo será empregada e os demais continuarão no desemprego.” Segundo o vice-presidente da Assemp, Eduardo Kroth, o Fórum de Técnologia e Inovação, da Associação Santa Cruz Novos Rumos, propõe a instalação do projeto Cidades Inteligentes, com uso da tecnologia e da computação. “No entanto, não adianta investir em tecnologia e inteligência, se a população não está capacitada. Estamos falando de empregabilidade, é uma discussão que está atrasada há dez anos.”

NOVO MODELO
 

Foto: Rodrigo Assmannsuperintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi), Juliano Colombo
superintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi), Juliano Colombo

O superintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi), Juliano Colombo, conta que a instituição criou, em 2012, um novo modelo de ensino focado no aluno como protagonista. Nele, a inserção da computação é parte da didática implantada nas salas de aula do Sesi. Segundo Colombo, esse modelo foi pensado para ser multiplicado e implantado em escolas municipais, estaduais ou privadas. “É baseado na tecnologia, baseado em ciência, ele traz muitas das respostas à necessidade do ensino e se adapta em qualquer outra escola.”

O superintendente explica que o Sesi já deu início ao processo de transferência dessa tecnologia, implantando o método no município de Panambi. Além disso, criou também um curso de formação para professores, com 120 horas-aula. “A formação desses professores não contempla o uso da tecnologia. Eles precisam aprender a usá-la a seu favor, para ampliar o conhecimento do aluno.” O Sesi pretende colocar em funcionamento o curso, destinado a professores de todas as redes de ensino.

“O desafio é como financiar isso. Dependendo da demanda, teremos que encontrar formas de financiamento dessa formação. O grande objetivo é fazer com que a educação pública tenha um salto de qualidade.”