Região 19/04/2019 23h02 Atualizado às 16h37

Jornal feito por alunos une educação e comunicação

Atividade foi desenvolvida com estudante de Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Encruzilhada do Sul

Um jornal produzido por alunos de quatro escolas estaduais da região foi lançado na manhã da última quinta-feira na Escola Bruno Agnes, no Bairro Schulz, em Santa Cruz do Sul. O Fala Galera é resultado de um projeto de educomunicação desenvolvido pelo 18º Núcleo do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato). O evento contou com a presença da presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, e da representante da 6ª Coordenadoria Regional de Educação, Maria de Fátima Fabres Castro.

O professor e músico Roberto Kittel Pohlmann apresentou composições de resistência. A escolha das instituições de ensino não foi aleatória. Além da Bruno Agnes, a Escola Nossa Senhora da Esperança, do Bairro Santa Vitória, e a Escola Crescer, de Venâncio Aires, são periféricas. A exceção é a Escola Borges de Medeiros, de Encruzilhada do Sul, que apesar de ser na região central da cidade, fica em um município afastado em relação a Santa Cruz, sede do 18º Núcleo.

A iniciativa faz parte das cinco parcerias mantidas pela Escola Bruno Agnes no programa estadual Escola Melhor: Sociedade Melhor. Para o professor da escola, Elbe Belardinelli, os temas transversais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foram trabalhados na produção do jornal, como questões de gênero, racismo, homofobia, bullying, violência contra a mulher, depressão, preservação cultural e meio ambiente. A doutora em Comunicação, Veridiana Pivetta de Mello, foi a responsável por orientar os alunos nos conceitos de jornalismo para a realização do conteúdo. As turmas integrantes eram do 7º, 8º e 9º ano.

Além do material impresso, os participantes receberam o desafio de elaborar um programa para a Rádio Comunitária sobre política e juventude. No caso da Bruno Agnes, os alunos elaboraram uma exposição sobre a música de resistência durante a ditadura militar. “Ao realizar oficinas sobre as técnicas de como se produz notícias, os estudantes se tornaram protagonistas de narrativas para os meios de comunicação no ambiente escolar, avançaram na construção da autonomia e da ação participativa e desenolveram uma nova prática de aprendizagem”, detalha Veridiana.

Parceria com sindicato foi fundamental

O professor Belardinelli ressalta que a atividade interdisciplinar não visa doutrinação. Ele defende que a iniciativa contempla demandas de uma escola de bairro ao abrir discussões sobre assuntos importantes e contribui para uma educação melhor, com visão crítica e plural. “É uma forma de o sindicato contribuir, sempre respeitando a autonomia da escola. E o que trabalhamos no projeto, aparece de alguma forma no conteúdo pedagógico. É importante salientar que a escola pública tem um papel social”, comenta.

Professores da Unisc também colaboraram, como o mestre em Ciências Sociais, Caco Baptista; o doutor em Ciências Sociais, César Góes; e o doutor em Comunicação Social, Rudinei Kopp. O diretor da Bruno Agnes, Dionisio Júlio Beskow, exalta a parceria com o sindicato. “Nosso objetivo é fornecer uma educação de qualidade, desenvolver um pensamento analítico em nossos alunos. A contribuição do sindicato é uma parceria que acrescenta no ensino, com o que está previsto no novo Referencial Curricular Gaúcho”, destaca.