Santa Cruz 04/10/2016 07h28 Atualizado às 10h37

Aliados a Sérgio veem erros antes e durante a campanha

Falta de mais partidos na base de apoio e postura ofensiva de Sérgio nos debates pesaram contra

Na avaliação de alguns dos mais expressivos líderes do PTB em Santa Cruz, erros cometidos antes e durante a campanha levaram à derrota acachapante de Sérgio Moraes no domingo. Fatores como a falta de mais partidos na base de apoio, a postura ofensiva de Sérgio e o desgaste sofrido por sua posição em relação a Eduardo Cunha teriam sido determinantes.

Para a ex-prefeita e vereadora eleita Kelly Moraes, a opção feita por Sérgio de concorrer com chapa pura pode ter prejudicado o seu desempenho. Desde o início, o deputado disse que escolheria pessoalmente seu vice e não correria atrás de siglas para integrar sua coligação, sob alegação de que essas alianças estimulam o loteamento de cargos caso eleito. Outro problema, segundo Kelly, foram as declarações dele no decorrer da campanha. “Ele é um homem que não esconde o que pensa. É assim e sempre vai ser. Muita gente nos cobrava, por exemplo, o plano de saúde para os municipários, e ele disse em rede de televisão que não tinha como cumprir”, observa.

O vereador reeleito Elstor Desbessell acredita que foi um erro de Sérgio não ter tentado articular uma aliança com PSDB e PMDB quando os partidos deixaram o governo Telmo. “Vamos ter que sentar e fazer uma avaliação. Será que lá na frente se escolheu o vice certo? Será que se escolheu a melhor equipe para coordenar a campanha? Talvez precisássemos de uma coordenação mais neutra”, diz.
 

“Autossuficiência” e fator Cunha

Outro vereador reeleito, Francisco Carlos Smidt, concorda que Sérgio deveria ter buscado uma coligação mais ampla. “Essa autossuficiência prejudicou”, resumiu. Ainda segundo ele, a postura de “agressividade permanente” na campanha, sobretudo nos debates, afetou seu desempenho. “A população não gosta dessas coisas e a resposta veio silenciosa nas urnas.”

De acordo com o presidente do PTB no município, Marco Borba, o fator Cunha também foi decisivo. “Isso não ficou bem esclarecido. E os adversários souberam usar. Isso viralizou nas redes sociais”, analisa. Borba também reconhece que os programas eleitorais de Telmo foram superiores aos de Sérgio. Por outro lado, o dirigente defende a decisão de não ter construído uma grande coligação. “Ele sempre disse que preferia perder do que vender a alma para o diabo. Ele não queria ficar refém de partido”, disse.
 

PSDB diz que não fará “oposição ferrenha”

Com a nova composição da Câmara de Vereadores, o prefeito reeleito volta a uma situação de minoria no Legislativo a partir de janeiro. Dos 17 vereadores eleitos, apenas sete são de partidos que integram a base de Telmo – três do PP, dois do SD, um do PMDB e um do PDT. Em declaração durante a campanha, Telmo admitiu que ter maioria na Câmara é “fundamental”.

Dos outros dez eleitos, seis são do PTB, dois do PT e dois do PSDB – que deixou o governo em junho. Por enquanto, Telmo ainda não sinalizou se e onde buscará apoio para recompor a governabilidade. Como o diálogo com o PTB é impossível, as opções seriam o PT ou o PSDB. 

Segundo o vereador reeleito pelo PSDB, Gerson Trevisan, o partido deve discutir nos próximos dias qual será sua posição. Para ele, não se deve descartar uma reaproximação com Telmo, caso haja interesse do prefeito. “Tudo é possível. Em momento algum, nós brigamos com o governo. Até porque, se o governo foi aprovado, é também porque o PSDB ajudou”, disse. O presidente dos tucanos, Paulo Jucá, afirmou que, independente de retornar ou não, o partido “jamais fará uma oposição ferrenha ao governo” . “Ainda é muito precoce falar sobre isso. Essa reaproximação vai depender mais do prefeito do que de nós”, observou.