Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

Santa Cruz

Vida Real: O pedido dos irmãos Almeida

No canto superior da casa dos irmãos Almeida dos Santos há uma cesta de basquete. Foi o tio Ronaldo quem a prendeu ali. Ele, que sempre visita os sobrinhos, ao brincar com eles faz um pouco do papel de pai. Francieli, a mãe, é quem cuida dos três sozinha. A primeira intervenção: “Pablo, tira o dedo da boca pra falar senão o tio não vai te entender”, orienta a mãe. E o menino, soltando um leve sorriso, obedece. Pablo, de 8 anos, estava contando que quem o tirou da cama naquela manhã foi a mana, Kethellyn, de 5 anos. “Ela me deu uma sacudida e acordei”, brinca ele. Reginaldo, de 12 anos, acompanha o diálogo. 

Geralmente, esclarece a menina, é a mãe quem os acorda cedo para ir à escola. Mas ela, Kethellyn, estava ansiosa pela chegada dos estranhos naquele dia. Inclusive, ao ser avisada de que chegaria visita, tratou de prender o cabelo e auxiliar a mãe na acomodação das cadeiras na varanda. Mas antes disso manteve a rotina de todas as manhãs: tomou uma xícara de café e só mais tarde comeria pão com manteiga, pois, conta ela, não consegue ingerir alimentos de manhã cedo. Outra curiosidade trazida pela Kethellyn é sobre o dia da semana que mais gosta: segunda-feira, pois é o dia do brinquedo na escola. É quando ela pode, além de se divertir com a Peppa que não tem em casa, brincar de boneca com as amigas.

Perto dali, agora contam os meninos, tem dois campinhos. Mas a mãe, cuidadosa, apesar das investidas da filha, não permite que a pequena Kethellyn vá com os irmãos. Segundo ela, a mãe só permite que passe parte do seu tempo com a Fofa, uma cadelinha que vai trazer vários filhotinhos, preveem as crianças, antes mesmo do Natal. Um certo dia, Pablo, Kethellyn e Reginaldo sentaram ao redor da mesa e resolveram escrever uma carta para o mais famoso personagem de dezembro: o Papai Noel. Com meio lápis na mão, Pablo, conhecido por sua destreza com as palavras, com o auxílio dos irmãos, começou assim: “Olá, querido Papai Noel. Moro no Bairro Rauber, na Rua Dois. Essa é a primeira vez que escrevo pro Senhor. Estou escrevendo essa cartinha para pedir três presentes, pra mim e meus irmãos. Meu irmão Reginaldo tem dificuldade para escrever, e minha irmã não sabe escrever ainda. Minha mãe ‘tá’ desempregada e ‘moremos’ só nós quatro. Mamãe não tem ‘condição’ de comprar um presente pra nós. Ela trabalha ‘de’ safra e esse ano acabou mais cedo. Meu irmão quer uma bicicleta e minha irmã quer uma bicicleta também. E eu quero uma camiseta do Cristiano Ronaldo, aquele do Real Madrid. Querido Papai Noel, aqui em casa não tem chaminé, não sei como vai entrar, mas não vai esquecer de nós, porque já ‘passamo’ de ano na escola. Queria muito que o Senhor nos deixasse feliz. Muito obrigado. Somos boas crianças”. 

Publicidade

Oportunidade

Francieli de Almeida dos Santos, hoje com 28 anos, mudou-se do pequeno município de Pinheiro Machado, próximo a Pelotas, há cerca de cinco anos. Lá, uma cidade pequena e com poucas oportunidades, Francieli não via futuro para seus filhos. Por isso veio a Santa Cruz do Sul com mais quatro irmãos e a mãe, dona Vaini. Quem quiser colaborar com o pedido das crianças, ou mesmo com roupas, calçados ou material escolar, o telefone de contato é o (51) 80530570.

Publicidade

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.