Jogos 2016 16/07/2016 17h11 Atualizado às 18h46

Talento daqui: A coreografia da vida de Natália

Ex-aluna do Mauá e atleta da seleção de ginástica rítmica do Brasil nos Jogos de Sydney 2000 dá novos passos na sua história

Atleta olímpica em 2000, a santa-cruzense Natália Scherer Eidt, 30 anos, só carrega boas lembranças. Ao comentar sobre o tempo em que integrou o primeiro conjunto brasileiro de ginástica rítmica a participar do torneio por equipes em uma Olimpíada, ela expressa o orgulho no rosto. Foi em Sydney, na Austrália, que a jovem, com seus recém-feitos 14 anos, ajudou a colocar o Brasil entre os oito melhores times da modalidade do mundo. Período em que muitos países, como os temidos França e Espanha, passaram a olhar a GR com outros olhos. A ginástica brasileira começava a marcar presença no cenário olímpico. E tinha gente “daqui” ali no meio.

Natália executou as primeiras acrobacias quando ainda nem entendia o que fazia neste mundão. Tinha apenas 6 anos e o ginásio do Colégio Mauá era o seu cenário de motivação. Com o decorrer dos anos, a moça do corpo elástico passou a encarar uma rotina de treinamentos cada vez mais intensa, de até dez horas por dia. Um trabalho pesado que recebeu total apoio da família e do professor e técnico Rafael Luz. “Com nove anos, comecei a participar de campeonatos nacionais até que, três anos depois, fui convocada para integrar a seleção brasileira, no mesmo ano em que fui campeã pan-americana em Winnipeg, no Canadá”, recorda.

Sonho de qualquer atleta, a participação na Olimpíada foi um marco na vida de Natália. Também pudera, a jovem estava lá, ao lado dos grandes como Guga, do tênis; Giba, do vôlei; e outros tantos competidores. “Lembro que, na abertura do evento, passamos por uma placa com o dizer: ‘Só os mais altos, os mais velozes e os mais fortes estão aqui’. Na hora, pensei: ‘Gente, eu sou uma dessas pessoas’. Foi só ali que entendi a dimensão dos Jogos”, confessa. E quem muito já doou de si não deixa de citar as decepções. “Para chegar naquela Olimpíada, nos classificamos em sétimo lugar. E, mesmo com a coreografia perfeita, levamos o oitavo lugar em Sydney. Acabou sendo um banho de água fria”, lembra.

Depois disso, a santa-cruzense seguiu firme no esporte e integrou importantes campeonatos em países como Alemanha, França, Espanha, Portugal, Hungria, Estados Unidos e México. Outro importante momento na sua trajetória foi o êxito obtido na seleção para a Olimpíada de Atenas, na Grécia, em 2004. Entretanto, para esta ficou impedida de participar. Diagnosticada com uma grave lesão na coluna, Natália foi obrigada a dizer adeus mais cedo à ginástica. “Foi bem difícil. Eu queria ter ido um pouco mais, mas já estava ultrapassando os limites do meu corpo”, lamenta.

O obstáculo, porém, não foi motivo para desânimo. Pelo contrário: ensinou que, na coreografia chamada vida, sempre é tempo de se reinventar e dar novos passos. E foi isso que Natália fez. Ela concluiu sua formação em Educação Física (licenciatura), pela Unisc, e hoje cursa o bacharelado da mesma área na USP, em São Paulo, onde vive há sete anos. Trabalha como personal trainer, especializada em dor, namora um jogador profissional de handebol e costuma jogar vôlei na instituição onde faz a graduação. Os planos dela são terminar os estudos dentro de oito anos, com mestrado e doutorado, e depois voltar para Santa Cruz.

“Deu para sentir aquela emoção de novo” com a tocha

No dia em que Santa Cruz do Sul parou para a passagem da chama olímpica, Natália Eidt fez bonito. Com sorriso de orelha a orelha, conduziu a tocha da Praça da Bandeira, na Rua Marechal Floriano, até a esquina da 7 de Setembro com a Deodoro. Emocionada, afirma ter se surpreendido com a mobilização na cidade. “Confesso que estava um pouco preocupada. Foram tantas notícias ruins relacionadas à chama que fiquei até um pouco desanimada. Mas é só vivendo aquilo para entender. Valeu muito a pena”, orgulha-se.

Na opinião de Natália, dois elementos se colocaram como fundamentais para o evento ter sido inesquecível. “O povo daqui valorizou muito a mobilização e vibrou com a gente. Além disso, o contato com os ex-atletas fez com que eu pudesse sentir aquela emoção (olímpica) de novo”, frisa. Após esse verdadeiro “aquece” para a Olimpíada no Brasil, a ex-ginasta promete ficar atenta à realização dos Jogos Rio 2016, com atenção especial, é claro, para a sua modalidade. “Sabemos que o País ainda deixa a desejar em termos de estrutura, mas acredito que o nosso povo e, principalmente, a nossa alegria cative todos que estarão mobilizados no evento.”