Especial 11/09/2019 20h53 Atualizado às 16h29

Futebol americano em Santa Cruz: quando os desafios vão além das jardas

Clube mais antigo em atividade no Rio Grande do Sul, Santa Cruz Chacais garimpa talentos para o seu quadro de atletas

Um esporte que alia velocidade, agilidade, capacidade tática e força bruta. Embalado por grandes duelos exibidos na TV, o futebol americano cresceu e ganhou visibilidade pelos campos do Brasil. O interesse pela modalidade desperta a procura para integrar as equipes. É o caso do Santa Cruz Chacais, que promove seletivas para reforçar o seu elenco. Nesta temporada, o time do Vale do Rio Pardo jogou o Campeonato Gaúcho e disputa a Liga BFA – Acesso, esta em nível nacional e que começou em agosto.

A presidente Marília Josefiaki, no cargo desde 2017, explica que, normalmente, o clube realiza de dois a três testes durante o ano para a seleção de novos atletas. “Isso ocorre quando temos um espaço entre as competições, para poder justamente dedicar o tempo que é necessário para ensinar a alguém a técnica e a tática do jogo. Como o futebol americano necessita de muitas trocas de peças, quanto mais tivermos de qualidade para trocar, melhor a gente consegue se sair nas partidas”, observa Marília.

Foto: Arquivo PessoalMarília Josefiaki (no centro), está no cargo desde 2017
Marília Josefiaki (no centro), está no cargo desde 2017

 

Não existe distinção de características na hora de garimpar novos talentos. “Focamos muito em agilidade, força e velocidade, para ver em qual posição cada pessoa melhor se encaixa, porque, para nós, todos os biotipos são bem-vindos”, enfatiza. Os jogos costumam durar, em média, três horas e meia.

Para se manter ativo e custear as despesas, como viagens e alimentação, o Chacais busca diferentes alternativas, que incluem até mesmo a reutilização de materiais. “Tentamos onerar o mínimo possível os jogadores. O futebol americano é um esporte um pouco mais caro para jogar. A equipe empresta os seus próprios equipamentos para alguns que não têm condições de comprar”, comenta a presidente. Além disso, rifas e jantares reforçam o caixa, junto com o auxílio das famílias. “Em dias de jogo, tem pessoas que compram ingressos, mas não vão, só para nos ajudar”, destaca.

Experiência única na modalidade

O projetista Douglas Groff, de 40 anos, participou de uma seletiva do Santa Cruz Chacais. A paixão pelo futebol americano foi um dos motivos que o levaram a tentar uma vaga no elenco. “Sempre gostei do esporte. Conheço alguns que praticam e me incentivaram bastante”, comenta.

Muito mais do que jogar, o estudante e estagiário de Educação Física da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) Leonardo Wink, 24, quer aprender sobre a modalidade. “Minha ideia é participar de alguns treinos, ver como é, justamente por ser da área esportiva”, afirma.

Foto: Bruno PedryWink queria saber mais sobre o esporte
Wink queria saber mais sobre o esporte
Foto: Bruno PedryGroff foi incentivado para ir na seletiva
Groff foi incentivado para ir na seletiva

 

“É um esporte estratégico”

Em 2012, o técnico de instalação de internet Eduardo Crema, de 30 anos, entrou para o Chacais por meio de uma seletiva. Após um período fora do município por motivos profissionais, retornou há três anos também ao clube, onde desempenha a função de cornerback. “É um esporte bem estratégico, quase um xadrez. Só que falta um pouco de informação. O pessoal acha que é só pancadaria e, na verdade, não é isso. A gente estuda muito os adversários, técnicas, fundamentos e tudo mais para inibir, na defesa, os avanços do ataque. É muito gratificante jogar no Chacais. O time é uma família. A gente se diverte em campo”, atesta Crema.

Foto: Bruno Pedry

 

Espaço aberto para aprender

É possível entrar na equipe do Santa Cruz Chacais a partir dos 16 anos de idade, segundo o coordenador defensivo Jeancarlo Weschenfelder da Silva. “Fazemos as seletivas justamente para que o pessoal entenda que qualquer um pode fazer parte. Estamos prontos para desenvolver e ensinar”, comenta um dos fundadores do clube, em 2007.

O Chacais é o time mais antigo em atividade no Rio Grande do Sul e o único gaúcho a vencer uma competição fora do Estado – a Copa Sul, em 2015. A principal dificuldade é buscar estrutura para realizar atividades nos campos. “O futebol americano não é um esporte que tu consigas treinar em qualquer espaço. São 11 jogadores para cada lado. Então, para fazer qualquer exercício coletivo, tu precisas de um espaço grande”, explica o coordenador defensivo.

Foto: Roberto PattaWeschenfelder é um dos fundadores
Weschenfelder é um dos fundadores