tóquio-2020 21/03/2020 11h22 Atualizado às 12h43

COI diz ser prematuro adiamento do evento

Thomas Bach defende realização da Olimpíada a partir de julho, mas prometeu reconsiderar em caso de um cenário diferente do coronavírus

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, disse que seria prematuro adiar os Jogos de Tóquio-2020 – previstos para ocorrer entre os dias 24 de julho e 9 de agosto – em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Apesar disso, o dirigente alemão ponderou que o COI está considerando cenários diferentes. “Para nós, não seria responsável hoje e seria prematuro entrar em especulações e tomar uma decisão”, disse o presidente em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times. “Não sabemos qual será a situação. É claro que estamos considerando cenários diferentes, mas estamos numa situação muito diferente de outras organizações esportivas ou ligas profissionais no sentido de que nos encontramos a quatro meses e meio dos Jogos”, acrescentou.

O COI continua comprometido em realizar o evento, apesar de praticamente todo o esporte mundial estar paralisado pela pandemia da Covid-19. Além disso, atletas já expressaram preocupação de que medidas adotadas em muitos países tornem impossível a preparação adequada para a competição. Na última terça-feira, o COI considerou “nenhuma decisão radical necessária”, dia em que a Eurocopa e a Copa América foram adiadas de 2020 para 2021.

Itália faz apelo para revisar a posição

Com o número de mortes por coronavírus mais alto na Itália do que em qualquer outro lugar do mundo, dois executivos esportivos do país europeu fizeram apelos de cunho mais emotivo ao COI para revisar a sua posição sobre a data dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, no Japão.

“Eu não sou contra a Olimpíada. Mas dizer que a Olimpíada ainda vai continuar é um grande erro de comunicação”, lamentou Giovanni Petrucci, que foi presidente do Comitê Olímpico Italiano por 14 anos. “Essa pandemia está afetando o mundo inteiro”, acrescentou o dirigente, em entrevista à agência Associated Press. “Eu sei tudo. Mas a vida humana vale mais do que todas essas coisas”, frisou.

O presidente das federações italiana e europeia de natação, Paolo Barelli, sugeriu que o COI defina a situação até o próximo mês. “Atletas são como relógios. Eles precisam treinar e funcionar impecavelmente. Muitos deles ainda precisam se classificar. Portanto, qualquer data após meados de abril se torna muito complicada”, projetou Barelli.

Atletas Saori Yoshida, lutadora de estilo-livre, e Tadahiro Nomura, do Judô, foram os responsáveis pelo recebimento nessa sexta

Em meio a dúvidas, Japão recebe chama

A chama olímpica está no Japão, país-sede dos Jogos em 2020. Nessa sexta-feira, em uma cerimônia discreta por conta da pandemia do coronavírus, ela chegou na Base Aérea de Matsushima, na província de Miyagi, escolhida para mostrar o renascimento da região após o terremoto, tsunami e acidente nuclear de 2011. Os responsáveis pelo recebimento foram os ex-atletas japoneses Saori Yoshida e Tadahiro Nomura, que a conduziram por meio de uma guarda de honra a um caldeirão em forma de flor de cerejeira.
Na quinta-feira, em Atenas, na Grécia, o acendimento aconteceu com o estádio Panathinaiko, que tem capacidade para 50 mil pessoas, vazio.
Até a próxima quinta, a chama “descansará” em uma lamparina para depois dar início ao revezamento da tocha. Haverá uma grande partida da turnê, sem espectadores, na região de Fukushima, justamente para prevenir a disseminação da doença.

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