Oriente Médio 22/05/2020 11h08

Rio-pardense relata a vida na pandemia em Abu Dhabi

Alexandre Nascimento atua como dirigente de arbitragem no jiu-jitsu local e precisou mudar a rotina pela obrigação de isolamento social

Um rio-pardense que vive nos Emirados Árabes Unidos enfrenta problemas semelhantes aos que temos no Brasil por conta da pandemia do novo coronavírus. Alexandre Nascimento, de 38 anos, é diretor de arbitragem na federação local de jiu-jitsu e reside em Abu Dhabi com a esposa e o filho de 15 anos desde 2012. No Oriente Médio, apesar do atual índice baixo de contaminações, as determinações impostas continuam bastante restritivas.

Ele está há três meses sem ir ao escritório onde trabalha. A rotina no país é de home office. Há um mês, um toque de recolher obriga a população a permanecer em casa das 20 às 6 horas. Um caminhão higienizador passa nas ruas durante a madrugada para desinfectar os espaços públicos.

Uma multa é aplicada para quem não cumpre a determinação, assim como para quem não utiliza máscara. Estabelecimentos abrem com 30% da capacidade máxima e foram liberados somente na semana passada. As pessoas devem utilizar luvas e passar por cabines com vapores sanitizadores. O aeroporto está operando somente com voos de repatriação.

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A equipe nacional disputou um campeonato de jiu-jitsu na quarta-feira, com 55 atletas e seis treinadores. Todos foram testados e ficaram concentrados em somente um hotel, onde foi montado um campo de treinamento. O evento fechado foi uma maneira de manter os lutadores em ritmo de competição.

“No dia 12 de junho, vai haver um evento de MMA no mesmo formato. Os participantes entrarão no hotel duas semanas antes. Todo mundo será testado e vai cumprir uma espécie de quarentena”, explica. Fora as iniciativas pontuais, as demais práticas esportivas estão paralisadas, inclusive academias de ginástica.

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Nas escolas, o ano letivo encerra em junho. O filho adolescente estuda com atividades online e o formato deve permanecer até dezembro. Em Abu Dhabi, há pontos de testes drive thru, em que as pessoas sequer precisam sair do carro. A esposa fica a maior parte do tempo em casa e se desloca, no máximo, para ir ao supermercado.

“As pessoas respeitam o isolamento. E a multa é pesada para quem infringe as regras. Pode até ser preso. As pessoas contaminadas são monitoradas. A lei é severa”, detalha. Nos Emirados Árabes Unidos, são quase 27 mil casos confirmados e 237 mortes pela Covid-19. O sheik Mohamed bin Zayed é totalmente favorável ao isolamento praticamente total.

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O Eid al-Fitr, celebração que marca o fim do Ramadan neste fim de semana, foi severamente prejudicado com a pandemia. “Os muçulmanos fazem peregrinação a Meca, na Arábia Saudita, mas, neste ano, está inviável porque há os bloqueios. Estão todos muito tristes. As mesquitas estão fechadas para evitar aglomerações. A restrição mexeu bastante com a população local”, comenta Alexandre.

Neste feriado, para quebrar o jejum, semelhante ao que acontece no Natal brasileiro, as pessoas se reuniriam em família. O costume, porém, está proibido desta vez. “Nesta semana, uma família inteira se contaminou. Umas 30 pessoas. Se uniram para fazer orações. Tiveram de pagar uma multa altíssima”, complementa.

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