FALANDO EM DINHEIRO 09/01/2021 16h08

Resoluções financeiras de ano novo

Está na hora de arregaçar as mangas e, se quiser resultados melhores, começar a fazer diferente

O ano de 2020, repleto de imprevistos e mudanças de vida, finalmente foi embora e junto com o novo ano vem a esperança de dias melhores. Não foi nada fácil para maioria dos brasileiros, nas várias áreas, inclusive na financeira. Os desempregados, por exemplo, passam de 14,1 milhões; o número de inadimplentes atingiu o maior patamar registrado em 10 anos.

Em relação às empresas, de acordo com Pesquisa Pulso Empresa, 1,3 milhão de companhias fecharam (temporária ou definitivamente), sendo que destas 40% encerraram suas atividades por causa da pandemia. Ou seja, o cenário econômico e a realidade financeira complicada provaram que cuidar das finanças pessoais é essencial para contornar situações imprevisíveis em relação ao dinheiro.

No clima de início de mais um ano cheio de expectativas, com a remoção de duas grandes incertezas que ameaçavam o ambiente – a falta de uma vacina em massa contra a Covid-19 e a indefinição da eleição para presidente dos Estados Unidos – está na hora de arregaçar as mangas e, se quiser resultados melhores, começar a fazer diferente.

Muitas pessoas estão com sua lista de resoluções para o ano de 2021 ainda bem fresquinha na memória, manuscrita numa folha de papel ou registrada em alguma planilha de computador. Um item que sempre faz parte dessas listas – e não poderia faltar – são as finanças pessoais ou familiares.

Então, que tal aproveitar esse início de ano para fazer um planejamento financeiro? Além das despesas normais, nos primeiros meses do ano, precisamos dar conta de gastos sazonais, como o IPTU, material escolar, IPVA e a fatura do cartão de crédito que, geralmente, vem com um valor maior, “engordado” com as despesas extras das festas de Natal e Ano Novo.

Na internet, existem várias sugestões de passos ou dicas de como (re)organizar as contas, no início do ano. Não há necessidade que se utilize alguma ferramenta sofisticada, embora ela torne tudo mais fácil. Vale qualquer meio, até uma simples folha de papel em que, no lado esquerdo ou no topo, relacionam-se todas as entradas, ou seja, renda, salários, comissões, dinheiros extras. No lado direito, as saídas de dinheiro, isto é, todas as despesas.

Com essas simples anotações, que podem ser extraídas de comprovantes e recuperadas da memória, já é possível constatar uma das seguintes situações: 1) sobra pouco dinheiro; 2) as receitas e despesas estão empatadas; ou, 3) existe um déficit, quer dizer, os gastos são maiores que as receitas.

O passo seguinte é realizar um diagnóstico das contas. Durante 30 dias, se a renda pessoal ou familiar for fixa, ou 90 dias, se for variável, anotar todos os desembolsos realizados, desde o cafezinho até a prestação do carro ou da casa. Com esse levantamento que passa a ser o orçamento pessoal ou familiar, já é possível reduzir as despesas de 20% a 30%, apenas com a eliminação de excessos, desperdícios ou supérfluos.

Ao mesmo tempo, é preciso levantar a situação financeira: se está superendividada (nome sujo, negativado), endividada, equilibrada (não tem dívidas, mas também não sobra dinheiro) ou investidora.

O endividado e, em pior situação, o superendividado precisam fazer um esforço especial para resolver suas pendências financeiras, cortando despesas e renegociando valores e prazos de pagamento com credores. Já o equilibrado, embora aparentemente esteja numa posição mais confortável, corre riscos: qualquer imprevisto que exige um valor maior de dinheiro, pode criar enormes dificuldades financeiras. Por último, o investidor que consegue economizar um valor mensal, mas, à vista do atual baixo rendimento das aplicações, precisa pesquisar investimentos mais rentáveis, quem sabe entrando no mercado de ações. No ano passado, o número de pessoas físicas praticamente dobrou na bolsa de valores.

Com relação ao orçamento pessoal ou familiar, existe aquela fórmula tradicional de Ganhos (-) Despesas = Sobra/falta. A DSOP Educação Financeira sugere a fórmula inovadora de Ganhos (-) Longevidade (-) Sonhos (-) Compromissos/prestações já assumidas (-) Reserva estratégica (-).

Com essa nova fórmula, que pode parecer utópica e inviável para muita gente, as pessoas começam a praticar a verdadeira educação financeira que vai muito além das finanças pessoais, composta de técnicas (orçamento, cálculos básicos, pesquisa de preços). Ela propõe analisar os comportamentos, atitudes e hábitos atuais que podem ter sido condicionados nos contextos familiares, nas diversas relações (trabalho, amizades, religiosas, etc) ou até por gerações anteriores. Ao receber o salário ou a renda, antes de pagar as contas do mês, separar um valor para a longevidade (aposentadoria), realização de sonhos (viagens, compra de álbum bem maior, etc), prestações de dívidas e reserva estratégica para imprevistos.

No início, a pandemia do coronavírus mostrou a preocupante e incerta situação das pessoas que não dispunham de uma reserva estratégica para enfrentar meses de redução ou até falta de receitas. Depois, a mesma pandemia forçou as pessoas a pouparem, evitando ou eliminando desperdícios e excessos, o que acabou em sobras de dinheiro que foram aplicadas em investimentos financeiros, principalmente na poupança, que recebeu um aporte significativo no ano de 2020. Dentre muitas lições, a pandemia do coronavírus ensinou que é possível reduzir gastos sem perda significativa do padrão e qualidade de vida.

Por fim, deixando para trás o ano atípico de 2020, cabe agradecer a Deus ou a algum Ser Superior pelas conquistas que tivemos ou por simplesmente não termos sido acometidos de forma grave pela Covid-19 e estarmos vivos. Cabe um agradecimento especial, também, a todas as pessoas que, mesmo sujeitas a grandes riscos de contaminação, como os profissionais da saúde, da segurança, de serviços essenciais, transportes, etc. realizaram suas atividades para o bem da comunidade.

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