Copa 2018 12/06/2018 22h44 Atualizado às 08h15

Alisson vence desconfiança e assume a titularidade na Seleção

Goleiro revelado pelo Internacional e agora na Roma, da Itália, ele tem as melhores marcas desde Taffarel, outra cria do Colorado

No período de um ano, o status do goleiro Alisson, de 25 anos, mudou rapidamente, assim como a sua carreira, até assumir a titularidade na seleção brasileira. Em 2014, a vaga no time titular do Internacional era algo distante. Reserva no clube, o atual camisa 1 do Brasil ganhou a posição em uma semana, após uma expulsão do pentacampeão Dida e da lesão do irmão Muriel, os preferenciais da posição. Na temporada seguinte, a sorte também esteve ao lado do gaúcho de Novo Hamburgo. Surpreendentemente, Dunga, técnico da equipe nacional à época, escalou-o na segunda rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo da Rússia após barrar Jefferson, que havia falhado na estreia da competição, e perder Marcelo Grohe, lesionado.

Desde aquela partida, em outubro de 2015, Alisson assumiu a titularidade e não perdeu mais a condição. Nesse período, ele sofreu 11 gols em 26 partidas, média de 0,42 por jogo. Apenas Taffarel, hoje preparador de goleiros da seleção, tem números melhores antes do início de um Mundial. Na preparação para a Copa de 1990, o também revelação do Internacional sofreu 12 gols em 30 partidas – média de 0,40. O levantamento leva em consideração jogos não oficiais. Taffarel foi o responsável por bancar Alisson como titular na época em que ele era questionado.

Na era Tite, o desempenho do atual camisa 1 é ainda melhor. Ele sofreu apenas três gols em 17 partidas – média de 0,17. Nem mesmo a reserva na equipe da Roma no ano passado abalou o prestígio de Alisson com a comissão técnica. A possibilidade de perder a vaga no Mundial, no entanto, fez o goleiro cogitar deixar o clube italiano, o que não foi preciso. Ele virou titular do time e foi selecionado pela União Europeia de Futebol para o elenco ideal da última edição da Liga dos Campeões. 

Goleiro desconversa sobre transferência

Cobiçado por Real Madrid, da Espanha, e Liverpool, da Inglaterra, o goleiro Alisson afirmou ontem que tem evitado acompanhar as especulações sobre uma possível transferência na janela europeia. Segundo o titular da Roma, seu foco está “100% nos treinamentos” com a seleção para a Copa do Mundo e as negociações estão exclusivamente a cargo de seu procurador. Ainda de acordo com ele, até o momento, não chegou nenhuma proposta oficial para deixar o clube italiano.

O assunto foi abordado duas vezes na entrevista concedida pelo goleiro após o treino aberto da seleção, o primeiro realizado em Sochi, na manhã dessa terça-feira. “Vocês estão ansiosos, não é?”, brincou, ao ser indagado por uma jornalista italiana. “Eu estou muito focado no meu momento na seleção. Como eu disse desde o início da temporada, sempre esperei por este momento e não quero que nada atrapalhe. Estou focado 100% nos meus treinamentos aqui”, assegurou.

“Meu procurador está cuidando de todas as questões junto à Roma e o que acontecer vai ser sempre o melhor para mim e para o clube, independente de ficar ou não. Minha concentração está focada aqui (na seleção brasileira e no Mundial da Rússia), em fazer o melhor aqui, e depois a gente resolve o resto”, reforçou o goleiro.
Alisson acrescentou que tem evitado acompanhar o noticiário sobre uma eventual transferência. “Eu procuro não ler tantas notícias. Acredito que isso ajuda, não ficar vendo tantas especulações e trabalhar com aquilo que tem de real. Neste momento, não chegou nada oficial. Tenho contrato com a Roma e estou muito feliz no futebol italiano, com a Roma e com o meu momento”, insistiu.

Segundo o goleiro, que é avaliado em 60 milhões de euros (R$ 262 milhões), as negociações envolvendo transferência de jogadores não atrapalham o ambiente da seleção. O volante Fred, por exemplo, acertou sua passagem do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, para o Manchester United, da Inglaterra, na semana passada. “Depende muito do equilíbrio emocional de cada pessoa, de como se lida com as informações. Aqui dentro da seleção estamos falando de jogadores de alto nível, jogadores rodados, todos com certa bagagem, que têm experiência nesses assuntos de transferência”, considerou Alisson. 

Treino leve para os atletas titulares

O primeiro treino da seleção brasileira em Sochi, ontem, não exigiu esforço dos titulares de Tite. Os jogadores que começaram o amistoso com a Áustria no último domingo em Viena participaram apenas de um leve trabalho físico, frustrando os torcedores presentes ao único trabalho aberto ao público.
Dos 23 jogadores convocados por Tite, apenas Fred não foi a campo, pois ainda está em recuperação de lesão. Mas praticamente foi como se os principais jogadores nem tivessem treinado, pois apenas se aqueceram e realizaram um trabalho físico. Já os reservas tiveram que se esforçar um pouco mais e foram orientados no gramado pelos auxiliares de Tite. 

Inspiração no irmão mais velho
Daniel Pavan é o preparador de goleiros principal do Internacional e conhece bem a família Becker. Ele trabalhou pela primeira vez com Muriel (à direita na foto), de 31 anos, atualmente no Belenenses, em 2001, quando Alisson apenas acompanhava o irmão na base do clube gaúcho. O mais velho foi uma inspiração para que o atual titular da seleção brasileira virasse goleiro. Ele ingressou nas fileiras de formação do Colorado em 2003 e atuava no meio-campo, mas logo passou a jogar no gol.

A posição está no DNA dos Becker. O bisavô foi goleiro do time da cidade de Novo Hamburgo na década de 1940. Já o pai defende o gol nas peladas de fim de semana. Baixinho na época e com tendência a engordar, Alisson quase deixou o futebol aos 13 anos. Os pais, José e Magali Becker, acreditavam que o então menino deveria se dedicar aos estudos.

“Ele era bem menor que os outros meninos da idade e muitas vezes nem sequer era relacionado para os jogos. Expliquei aos pais dele que o Alisson tinha qualidades já de um goleiro e daria um estirão, cresceria. Um ano e meio depois, ele já era goleiro da seleção brasileira sub-15”, lembra Pavan.

Agora com 1,93 metro de altura, Alisson também chama a atenção pelo seu estilo. Em janeiro, ele foi escolhido pela grife italiana Emporio Armani para ser o mais novo “amigo da marca”, uma espécie de embaixador, e posou para fotos de um ensaio que mistura esporte e moda, em Milão.