Menos burocracia 10/08/2018 18h26

TJ-RS lança aplicativo para ajudar crianças e adolescentes que esperam por adoção

A ideia é fazer com que os futuros pais possam travar contato com os menores de modo virtual

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul lançou um aplicativo chamado 'Adoção' na tarde desta sexta-feira, 10, no auditório da Fundação Pão dos Pobres, em Porto Alegre. O objetivo é reduzir as filas e o processo impessoal. A ideia é que ocorra uma humanização da busca, com fotos, vídeos, cartas e desenhos, para despertar o interesse e a flexibilização do perfil desejado pelos candidatos.

A corregedora-Geral da Justiça, desembargadora Denise Oliveira Cezar, revelou que já no primeiro dia, cerca de 1 mil downloads do aplicativo foram feitos e 83 habilitados visualizaram as crianças e jovens. Destes, três já manifestaram desejo concreto de adotar. "Os candidatos irão ver o brilho nos olhos, o sorriso, uma declaração das crianças, gestos que mudam a realidade", disse.

Conforme a juíza-corregedora e coordenadora da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJ-RS Nara Cristina Neumann Cano Saraiva, há cerca de 5 mil pessoas na fila de adoção no Rio Grande do Sul, para um total de 620 crianças e adolescentes em espera. A resposta para essa conta, que não fecha, é simples: o perfil das crianças disponíveis não encaixa com aquele procurado pelos adotantes. A cor da pela já não é o principal empecilho, mas sim a faixa etária: a maior parte dos pais em potencial quer bebês entre zero e dois anos, ou com idade máxima na casa dos seis.

Entretanto, dessas 620 crianças, a grande maioria supera dez anos e acaba passando a infância e adolescência em abrigos e casas de passagem. Outro fator é a questão dos irmãos, para os quais se busca adoção conjunta. Essa não é uma questão estanque, mas é levada em consideração na hora de procurar um lar para os menores.


Como funciona?

O aplicativo Adoção é uma iniciativa do TJ, em parceria com a PUCRS e o Ministério Público Estadual. O app, que está disponível para Android e iOS, reúne informações como características físicas, vídeos e fotos de quem está apto à adoção.

O acesso a todas as informações das crianças e adolescentes será restrito aos pais registrados no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), independentemente do Estado em que moram. Eles serão identificados a partir do CPF e do e-mail cadastrado no programa. Depois de incluir os dados básicos (os passos são indicados no próprio aplicativo), o cadastrado poderá selecionar o perfil que procura. 

Imediatamente, se houver inscritos para adoção com o mesmo perfil, eles surgirão na tela. A indicação de interesse em adotar só será finalizada depois que os pais registrados finalizarem a busca e clicarem em "interesse em adotar". A partir daí, o TJ deverá entrar em contato em até 72 horas com o interessado.