Internet 18/07/2019 23h20 Atualizado às 12h07

Aplicativo que “envelhece” usuário está na mira do Procon

Objetivo é saber como as imagens editadas com a ferramenta serão usadas por empresas, como Apple e Google

A Fundação Procon notificou o aplicativo FaceApp e a Apple e Google, proprietárias das lojas virtuais em que a ferramenta está disponível. De acordo com o órgão, as empresas deverão esclarecer a política de coleta, armazenamento e uso dos dados dos usuários.

O aplicativo tornou-se popular nas redes sociais a partir do compartilhamento de imagens editadas graças aos filtros que permitem simular faces com idade avançada ou até mesmo em outros gêneros. “Informações divulgadas na imprensa afirmam que a licença para uso do App contém cláusula que autoriza a empresa a coletar e compartilhar imagens e dados do consumidor, sem explicar de que forma, por quanto tempo e como serão usados. E ainda, essas permissões não estão disponíveis em língua portuguesa”, destacou o Procon em nota.

Especialistas apontam que o aplicativo pode trazer uma série de riscos à privacidade do usuário e viola a legislação brasileira ao afirmar que poderá ser regido por leis de outros países. Segundo a política de privacidade da ferramenta, acessam-se fotos e “outros materiais” postados. No entanto, o documento não detalha quais seriam eles. A empresa também adota serviços de análise de dados de terceiros para medir as tendências de consumo.

“Essas ferramentas coletam informação enviada pelo seu aparelho ou por nosso serviço, incluindo as páginas que você acessa, add-ons e outras informações que nos auxiliam a melhorar o serviço”, diz o documento. São utilizados também mecanismos de rastreamento como cookies, pixels e beacons (que enviam dados sobre a navegação para a empresa e parceiros dela).

Risco

As políticas de privacidade do FaceApp afirmam que as informações obtidas não são comercializadas, mas avisam que os dados reunidos podem ser compartilhados para as empresas do grupo que o controla. Também teriam acesso as companhias que atuam na oferta do serviço, as quais, segundo o documento, o farão sob “termos de confidencialidade razoáveis”. Para Fábio Assolini, analista sênior da Kaspersky, empresa russa de softwares de segurança, é possível que essas imagens acabem sendo empregadas em usos problemáticos. “Por utilizar inteligência artificial para fazer as modificações a partir do reconhecimento facial, a empresa dona do app pode vender essas fotos para empresas desse tipo, além desses dados facilmente caírem nas mãos dos cibercriminosos e serem utilizados para falsificar nossas identidades.”

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