Supremo Tribunal 29/09/2019 14h50

Janot é proibido de se aproximar dos ministros após ameaças

Ex-procurador da República revelou plano para matar Gilmar Mendes. Polícia encontrou pistola na sua residência

Um dia após afirmar que por pouco não executou um plano para matar o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot foi alvo de ações de busca e apreensão executadas pela Polícia Federal em sua casa e escritório, em Brasília.

A ordem foi dada pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes, que atendeu ao pedido feito por Gilmar para suspender o porte de armas de Janot e impedi-lo de entrar nas dependências do Supremo.

A PF apreendeu uma pistola, um tablet e um celular no apartamento de Janot. “O quadro revelado é gravíssimo, pois as entrevistas concedidas sugerem que aqueles que não concordem com decisões proferidas pelos ministros desta Corte devem resolver essas pendências usando de violência, armas de fogo e até com a prática de delitos contra a vida”, observou Moraes.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Janot revelou que, em 2017, chegou a entrar armado com uma pistola no Supremo, decidido a matar Gilmar. “Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele e depois me suicidar”, afirmou o ex-procurador. A decisão teria sido motivada por ataques do ministro à filha de Janot, que foi apontada como uma das adovogadas da empreiteira OAS em processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e poderia ser “credora por honorários advocatícios de pessoas jurídicas envolvidas na Lava Jato”. A história aparece no livro de memórias Nada menos que tudo, a ser lançado pelo ex-chefe do MP em outubro.

Além de suspender o porte de armas de Janot, de impedi-lo de entrar nos edifícios do STF e barrar sua aproximação com ministros da Corte, Moraes também determinou o recolhimento imediato de depoimento do ex-procurador-geral. Janot preferiu não depor. (AE)

Gilmar
Em resposta à revelação de Rodrigo Janot, o ministro do Supremo Gilmar Mendes afirmou, em nota, que ex-procurador-geral deve buscar ajuda psiquiátrica e, durante entrevista, disse que não imaginava que houvesse um “potencial facínora” no comando da Procuradoria-Geral da República – Janot comandou o Ministério Público Federal entre 2013 e 2017.