Maconha 06/10/2019 23h44 Atualizado às 07h48

Brasil deve começar a produzir canabidiol a partir do próximo ano

Novidade vai baratear o preço do componente e oferecer mais segurança e qualidade para quem precisa usar o produto

O debate sobre a liberação ou não da maconha ainda é um assunto polêmico no Brasil. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou uma consulta pública sobre a liberação do plantio para fins medicinais. A proposta teve 1.154 contribuições, a maioria favorável. A decisão da agência deve ser comunicada em breve. Na região, o assunto foi debatido durante a 3ª Jornada de Psiquiatria da Seccional Vale do Taquari e Rio Pardo, que ocorreu no fim de semana no Hospital Santa Cruz (HSC).

Na palestra Maconha: os dois lados da erva, o psiquiatra Alexandre Kieslich da Silva salientou que o assunto é controverso. “Temos países que liberaram, como o Uruguai, além de estados nos Estados Unidos que também já liberaram. No Brasil, é feito um levantamento sobre o uso medicinal”, falou.

Silva explicou que o Brasil é um dos países onde mais se pesquisa sobre o canabidiol, componente presente na maconha. Ele cita o exemplo do professor Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e do psiquiatra paranaense José Alexandre Crippa. No próximo ano, deve ser lançado um canabidiol feito no Brasil, que já tem estudos e regulamentação.

“Estamos bastante animados na questão do uso e produção deste componente no país. O canabidiol pode ser positivo para algumas patologias como esclerose múltipla, alguns tipos de epilepsia, dores crônicas, náuseas e vômitos causados pela quimioterapia. No entanto, ainda é cedo afirmar que pode ser usado em larga escala, para várias doenças”, complementou.

Além disso, a novidade deve baratear o produto. “Hoje o Brasil acaba trazendo este componente de fora, via judicial, principalmente para uso em pacientes que têm epilepsia e que outros medicamentos não oferecem o controle das crises. Fazendo aqui, no Brasil, teremos um produto com mais qualidade e, inclusive, com mais segurança, porque não vai ter o THC, que é o componente ruim da maconha e que causa dependência e até psicose.”

O coordenador do evento desse fim de semana em Santa Cruz, o psiquiatra Fernando Godoy Neves, explicou que a ideia foi proporcionar um conhecimento mais acessível aos psiquiatras, aos profissionais da área de saúde mental e aos estudantes de Medicina. “Queremos que eventos como este descentralizem de Porto Alegre e venham para o interior do Estado. Aqui temos profissionais com forte formação científica”, completou.

Também foram abordados temas como transtornos psiquiátricos, genética psiquiátrica e farmacogenética.

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Malefícios

Alexandre esclareceu que o uso da maconha fumada tem malefícios, principalmente para os adolescentes, com a redução do volume cerebral, da capacidade intelectual e cognitiva. “Estão surgindo novos tipos de maconha sintética, vaporizadores, que têm alertado os médicos e órgãos reguladores. Inclusive há casos de intoxicação e até de morte nos Estados Unidos. Sabemos que o cérebro termina a sua formação aos 24 anos, então utilizar essa droga tão cedo gera uma impacto danoso ao longo da vida”, alertou.

Foto: Bruna LovatoSilva diz que ainda é cedo para afirmar que o canabidiol pode ser usado em larga escala
Silva diz que ainda é cedo para afirmar que o canabidiol pode ser usado em larga escala

 

Formulário online

Desde o último dia 2, pacientes em tratamento de saúde, com indicação de uso de canabidiol, podem solicitar a importação de produtos feitos à base da substância por meio de formulário eletrônico. O novo guia de importação mediante prescrição de profissional de saúde legalmente habilitado deve ser preenchido no portal do Governo Federal pelo paciente ou por um representante legal devidamente constituído.

Segundo a Anvisa, o formulário eletrônico procura agilizar o atendimento às solicitações, eliminando etapas como a triagem dos processos instaurados manualmente. O simples preenchimento do documento disponibilizado no portal dá origem a um processo que pode ou não ser autorizado. “Importante salientar que nada muda em relação ao passo a passo das solicitações. O que foi aprimorado foi o formulário para a realização de pedidos, além da adoção de uma nova porta de entrada para o requerimento”, explica a agência, em nota.

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