Gazeta Explica 10/10/2019 14h40 Atualizado às 14h53

O problema que fez a Gol mandar 11 aviões para a oficina

Unidades da família Boeing 737 NG passam por manutenção emergencial; procedimento ocorre em todo o mundo e visa justamente garantir a segurança dos voos

A notícia de que a Gol decidiu suspender a operação de pelo menos 11 aviões do modelo Boeing 737 NG para uma manutenção emergencial deixou em alerta os clientes da companhia. Embora o assunto venha crescendo na internet, não há motivo para preocupações. A medida é justamente para garantir a segurança dos voos. Para evitar transtornos em suas rotas, a Gol já está trazendo do exterior aviões arrendados temporariamente. O primeiro deve chegar ainda nesta quinta-feira, 10.

O suposto problema identificado em unidades fabricadas pela Boeing tem proporção mundial. No início do mês a FAA — que é a agência de aviação civil dos Estados Unidos — emitiu orientação para que aviões da família 737 NG sejam submetidos a inspeção técnica para avaliar a existência de possíveis fissuras na estrutura. Vale lembrar que, no Brasil, a Gol é a única companhia que opera este tipo de aeronave e, por isso, precisou adotar tal procedimento. Não há nenhum alerta específico da FAA sobre os 118 Boeing 737-700 e 737-800 utilizados pela Gol.

A urgência da análise recomendada pela agência norte-americana varia conforme a rotina e o tempo de uso do avião. Aqueles que registram mais de 30 mil ciclos (decolagem+voo+pouso) precisam ser avaliados imediatamente, o que é o caso dos 11 primeiros da Gol que foram retirados de circulação nesta semana. Já os 737 NG com mais de 22,6 mil ciclos têm prazo um pouco maior para serem avaliados.

Os 11 aviões que precisaram ser retirados das rotas estão no centro de manutenção da Gol que funciona junto ao aeroporto de Confins, em Minas Gerais. De acordo com a companhia, nestas aeronaves “foram encontrados indícios da necessidade de substituição de um componente específico, cujas características se apresentaram fora dos padrões estabelecidos pelo fabricante”. A Gol informa ainda que “as aeronaves permanecerão inoperantes até o cumprimento da manutenção”.

A retirada de 11 aviões da frota afeta cerca de 3% da malha operada pela Gol até dezembro (quando aumenta o número de linhas devido ao período de férias). Para evitar transtornos aos passageiros e até mesmo um impacto dos preços das passagens, a companhia já está trazendo da Europa 13 jatos arrendados temporariamente. Todos são Boeing 737 NG da mesma família operada pela Gol.