GOVERNO FEDERAL 18/06/2020 17h48

Abraham Weintraub deixa o Ministério da Educação

Participação de agora ex-ministro em manifestação no domingo, com repetição de ataques ao STF, pode ter sido determinante para a queda

Em vídeo publicado nas redes sociais, o ministro da Educação, Abraham Weintraub anunciou nesta quinta-feira, 18, sua saída do governo. O presidente Jair Bolsonaro vinha sendo pressionado a fazer um gesto de trégua ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aparece ao lado de Weintraub no vídeo com o anúncio da demissão. Weintraub foi o décimo ministro a cair desde o início do governo.

“Eu estou saindo do MEC, vou começar a transição agora e nos próximos dias eu passo o bastão para o ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo. Neste momento, não quero discutir os motivos da minha saída, não cabe. O importante é dizer que recebi o convite para ser diretor de um banco, já fui diretor de um banco no passado, volto ao mesmo cargo, porém no Banco Mundial”, disse Weintraub em vídeo publicado no Twitter.


LEIA TAMBÉM: PF faz buscas no inquérito das fake news; Luciano Hang é um dos alvos

Segundo o agora ex-ministro, ele deve assumir uma representação brasileira na diretoria do Banco Mundial, que fica sediado em Washington, nos Estados. O atual secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, é cotado para assumir seu lugar na pasta, mas o governo ainda não confirma o sucessor.

Weintraub ficou 14 meses no cargo, período no qual acumulou desavenças com reitores, estudantes, parlamentares, chineses, judeus e, mais recentemente, ministros do Supremo. O argumento dos que defendiam a demissão era de que ele se tornou um gerador de crises desnecessárias justamente no momento em que o presidente, pressionado por pedidos de impeachment, inquérito e ações que podem levar à cassação do mandato, tenta diminuir a tensão.

LEIA MAIS: Bolsonaro exonera Vélez e anuncia Weintraub como novo ministro da Educação

A permanência no posto se tornou insustentável após Weintraub se reunir, no domingo, 14, com manifestantes bolsonaristas e voltar a atacar ministros do Supremo. O grupo desrespeitou uma ordem do governo do Distrito Federal, que proibiu protestos na Esplanada dos Ministérios.

No ato, o agora ex-ministro repetiu a crítica a magistrados: “Eu já falei a minha opinião, o que faria com esses vagabundos”. A declaração remete ao que ele já havia dito na reunião ministerial do dia 22 de abril. À época, Weintraub afirmou que, por ele, colocaria na cadeia os ministros da Corte, a quem classificou como “vagabundos”. Weintraub responde a um processo por causa dessa afirmação.

Na segunda-feira, 15, Bolsonaro chegou a recriminar a ida do seu ministro ao ato, dizendo que ele não foi “prudente”. A fala foi entendida como indicativo da demissão iminente.

LEIA TAMBÉM: Inscritos no Enem podem escolher novas datas para realização da prova