Fim da cogestão 25/02/2021 17h13 Atualizado às 21h23

Bandeira preta passará a valer a partir deste sábado em todo o Rio Grande do Sul

Medida deve começar no próximo sábado, 27, e se estender até o domingo dia 7 de março; capacidade das UTIs no Estado está em 91,4%

Em reunião com os prefeitos e presidentes das associações de municípios do Estado, o governador Eduardo Leite (PSDB) decretou o fim da cogestão no sistema de distanciamento controlado, impedindo a flexibilização conforme decisão dos municípios. Na gestão compartilhada, regiões com classificação na bandeira preta podiam adotar protocolos da bandeira vermelha, e os classificados em bandeira vermelha estavam liberados para adotar regras da bandeira laranja, por exemplo. O encontro virtual ocorreu na tarde desta quinta-feira, 25.

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O governador também antecipou anúncio das bandeiras da nova rodada, que costumava ocorrer às sextas-feiras. A partir de sábado, 27, e até o domingo, 7 de março, todo o estado deverá adotar as regras da bandeira preta. “Entendemos que é preciso centralizar as ações de comando, mas em nenhum momento queremos tomar esta decisão sozinhos, por isso, queremos que os prefeitos nos ajudem. Minha recomendação é acabar, temporariamente, com a cogestão”, disse Leite.

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De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, a primeira onda da pandemia, registrada entre os meses de julho e agosto de 2020, tinha em média 64 internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) por dia. Em dezembro, no que se convenciona chamar de segunda onda do coronavírus, a média foi de 67 internações. Desde a última terça-feira, 23, a média é 246 internações – quatro vezes maior do que no inverno passado.

“Nem que criássemos 7 mil leitos de UTI, o que é totalmente inviável, seria possível dar conta de tantas internações. Estamos no nosso limite”, frisa Leite.

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Assista à reunião entre Estado e Famurs

Três de cada quatro pacientes de UTI Covid morrem no RS

A secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, emocionada, disse que, com a ocupação geral de leitos em UTIs na faixa dos 91,4%, a última fase de expansão do contingenciamento nos hospitais será fechar para demais serviços e criar clínicas com leitos para a internação. “A ciência não explica o que está acontecendo. A velocidade com que o vírus avança é muito maior e a letalidade também. No ano passado, 60% das pessoas internadas em UTI não resistiam. Agora, em fevereiro, esta taxa é de 75%”, disse.

Significa dizer que apenas um de cada quatro pacientes internados em UTI sobrevive nos últimos dias. “Se esta taxa de crescimento continuar, em 15 de março, teremos 200 óbitos por dia e mais de 15 mil mortos no Rio Grande do Sul”, complementou Arita.

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Famurs defende fim da cogestão, prefeitos não

O presidente da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Emanuel Hassen de Jesus (Maneco), criticou o atraso na distribuição de vacinas, com o envio fracionado pelo Ministério da Saúde em todo o país.

Segundo ele, todos os prefeitos são unânimes com relação ao cumprimento das regras da bandeira preta e o fechamento das atividades econômicas para frear a curva de crescimento. “O governador faz muito bem em consultar os prefeitos, que acredito eu têm todos a mesma opinião, quanto à necessidade de medidas rápidas e mais enérgicas.”

Os prefeitos da Serra Gaúcha e da Região Metropolitana defenderam que atividades comerciais e industriais não devem ser suspensas, por conta da dificuldade econômica que será ocasionada pelo fim da cogestão e a implementação da bandeira preta. “As pessoas não ficam em casa. A restrição de horário coloca mais gente nos supermercados e nas ruas. O Carnaval e as festas clandestinas são responsáveis por esta situação que estamos vivendo”, disse o prefeito de Parobé, Diego Picucha (PDT). O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), também defendeu a manutenção das atividades, com restrições mais severas. “No entanto, eu sou um legalista, respeito o que está posto e, se a decisão é fechar, será esta.”

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A prefeita de Sinimbu, Sandra Backes (DEM), representando a Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp), defendeu o lockdown durante o fim de semana, apenas. “As atividades econômicas não são as responsáveis pela contaminação. Não estamos aqui para achar culpados, mas entendemos que, quando os trabalhadores estão em atividade, eles estão mais seguros”, disse. Segundo a prefeita, a região defende a manutenção da cogestão, com lockdown de sexta a segunda-feira.

Em reunião com os governadores do Paraná e de Santa Catarina, Leite disse que nos estados do Sul medidas de restrição precisarão ser tomadas de forma urgente. “Não estamos propondo o fechamento por tempo indeterminado. Neste momento precisamos dar um forte golpe na taxa de transmissão para evitar que pessoas morram sem atendimento”, defendeu Leite, ao dizer que a suspensão da cogestão deve ser, inicialmente, por uma semana.

A decisão de suspender a cogestão foi defendida pelo procurador-geral do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Fabiano Dallazen. “Esta é a decisão mais acertada. Neste momento, é extremamente importante que se suspenda a cogestão e se adotem por um tempo inicial os protocolos mais rígidos para frear a contaminação.”

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Educação infantil deve continuar, diz governador

O Gabinete de Crises do governo do Estado deverá manter os protocolos de bandeira preta e definir, nesta sexta-feira, 26, as novas regras definitivas para as restrições que serão impostas a partir do próximo sábado, 27. Assim que concluído o planejamento, o governo irá divulgar as restrições.

Sobre a educação infantil e 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, o governador antecipou que a permanência das aulas presenciais deverá ser mantida, como aprovado no modelo de distanciamento controlado apresentado na última semana.

Uma das mudanças está na regra 0 óbitos, 0 internação, que também estará suspensa. Com a superlotação dos hospitais no Estado, todos os municípios precisam adotar as medidas restritivas, para que tenham o efeito desejado pelo governo do Estado.

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