Ideias e bate-papo 07/07/2017 11h22

2018, a redenção

A cada quatro anos temos oportunidade de confirmar nossas escolhas ou de retificar equívocos que são normais

Escrever sobre política é sempre temerário. Não apenas pela polêmica que cerca o assunto, mas pelo dinamismo do noticiário, que parece o céu: a gente olha e está de um jeito, mas dez minutos depois, tudo pode ter mudado.

Polícia Federal, Ministério Público e diversas instituições e pessoas autorizadas se debruçam todos os dias sobre os fatos que abalam o País há mais de dois anos. Desde as primeiras horas do dia somos despertados por operações que arrancam da cama corruptos de todos os calibres.

Todo este esforço descomunal, jamais visto na história do País, será infrutífero se nós, eleitores, não fizermos a nossa parte. A arma para deter este festival de barbaridades é simples, não tem efeitos colaterais, não fere ou mata: o voto, que fulmina apenas quem não cumpre o que promete. No ano que vem teremos a oportunidade de transformar nosso dever em oportunidade única. Lembre-se: o que os políticos mais temem é a vontade do eleitor.

Trabalho há anos em política, o que me transforma em alvo de desabafos. Levo numa boa, faz parte da atividade sempre que não ocorram ofensas pessoais. Depois das críticas quase sempre generalizadas contra os políticos tento ponderar por meio de um argumento simples: todos que exercem mandatos foram eleitos. Ou seja, representam eleitores – às vezes milhões –, não brotaram da terra ou desceram de alguma aeronave interplanetária.

A cada quatro anos temos oportunidade de confirmar nossas escolhas ou de retificar equívocos que são normais. Não questiono os critérios porque o voto é uma decisão de cunho pessoal, mas cá entre nós: é preciso aumentar o rigor na hora de passar uma procuração de tamanha importância para o nosso futuro.

Além de escolher com critério, a tecnologia permite que o eleitor fiscalize em tempo real os votos, opiniões e posturas dos nossos representantes. Ao longo dos últimos anos foi possível comprovar a importância das redes sociais, que levaram milhões às ruas, culminando com o impeachment de uma presidente da República.

A passividade geral diante de tamanha variedade de desmandos, crimes e irregularidades desafia analistas sociais e psicólogos. Parece que existe um certo cansaço na raiz desta prostração nacional porque só mudam os personagens, mas os crimes prosseguem. 

Independente da passividade atual, onde cada manchete de Brasília só aumenta a nossa incredulidade, é preciso valorizar o voto. E a chance será em 2018, com expectativa que talvez jamais se tenha visto em outro pleito.