Ideias e bate-papo 03/11/2017 07h28

Vote Bem

Ao apertar a tecla 'confirma' da urna eletrônica em 2018 um exame de consciência se impõe

A mais recente pesquisa à Presidência da República trouxe poucas novidades em relação aos levantamentos anteriores. A polarização Lula–Bolsonaro é reflexo do que se vê e ouve nas ruas. Política é sempre tema polêmico, ainda mais em tempos de Operação Lava Jato, em que esta atividade é demonizada. Muitos, porém, esquecem que foi por meio da atividade política que nos livramos da ditadura e conquistou-se a democracia.

Sob o risco de “corneta” geral, vou colocar a colher torta no assunto. O resultado de todo o processo democrático – sempre! – deve ser acatado. A cada final de eleição é comum ouvir-se lamentos de quem perdeu, mas o eleitor é soberano, sua escolha é indiscutível e é fundamental respeitar o que as urnas determinaram.

A trajetória do ex-presidente Lula é invejável. É um homem que nasceu num pedaço sofrido do Brasil. Veio para o “Sul maravilha”, onde venceu como sindicalista. A conquista e o exercício do poder são inebriantes. É comum perder as referências éticas. Preceitos da boa governança dão lugar a interesses pessoais e financeiros.
Este desvirtuamento é evidente nos depoimentos de dezenas de ex-companheiros de Lula que, presos e pressionados, narram episódios lamentáveis com riqueza de detalhes. É inimaginável pensar num movimento conspiratório de tamanha complexidade, envolvendo tanta gente para engendrar uma ficção recheada com tantas minúcias.

Jair Bolsonaro suscita medo. Medo porque aprendi, com meu falecido pai, que o bom-senso está no equilíbrio, jamais nos extremos. Invocar uma pretensa segurança absoluta dos tempos da ditadura é subestimar a inteligência e a história. Sabemos que na ditadura militar todas as notícias eram analisadas antes de chegarem ao público. A censura varreu inúmeros artistas, jornalistas, políticos e líderes emergentes do cenário nacional. Emburreceu o País.

A polarização que a pesquisa do Ibope aponta é lamentável sob diversos aspectos. Condenar políticos na inquisição das redes sociais é esporte nacional, mas a cada novo escândalo pergunto: será que o lamentável personagem brotou em algum gramado de Brasília ou Porto Alegre ou foi eleito por nós, que apontamos o dedo para quem desviou bilhões por anos a fio?

Ao apertar a tecla “confirma” da urna eletrônica em 2018 um exame de consciência se impõe. Jogar pedras é fácil. Difícil, de verdade, é votar bem.