IDEIAS E BATE-PAPO 11/09/2020 22h08

A divertida vida de repórter

Fiquei pendurado em uma árvore e levei muitas cassetadas, que deixaram marcas roxas nas costas. Doeu, mas sobrevivi para contar a história

A vida de jornalista permite colecionar experiências divertidas e inesquecíveis. Como repórter de rádio e de jornal e assessor de imprensa dos três poderes, lembro de muitos causos, parte deles reunida no livro O tempo é o senhor da razão e outras crônicas.

Em uma coletiva da direção da GM, em Gravataí, o governador Germano Rigotto fez um pedido: queria citar todos os veículos de comunicação presentes ao evento. De planilha em punho, cumpri a romaria. Duas gurias conversavam animadamente com um crachá de imprensa. Pedi licença e perguntei:

– Qual é o veículo de vocês?

Elas se olharam e uma delas, muito irritada, virou-se para a amiga e disparou:

– Tá vendo só? Eu te disse pra não botar o nosso Chevette na entrada da garagem!

Greves sempre eram momentos tensos para repórteres, especialmente para quem trabalhava em determinadas empresas de comunicação. Num deles, com um calejado fotógrafo, os bancários tentaram virar nosso Fusca bege com logotipo da empresa na Rua Sete de Setembro, centro de Porto Alegre. Estava apavorado, até que o experiente repórter fotográfico conseguiu baixar o vidro e berrar.

– Tchê... Por que vocês querem matar a gente? – perguntou.

– Porque tem o fulano (deu o nome) da rádio de vocês, que só mente. Por isso vocês vão apanhar! – retrucou. Com calma, o “retratista” deu o nome do profissional e o endereço do colega da emissora.

– Já que vocês são tão valentes, vão lá bater nele, mas deixem a gente trabalhar, certo? – E a calma voltou.

Em uma greve de trabalhadores em ônibus, eles deitaram no chão na frente do Mercado Público para evitar a saída de veículos. Uma coluna de brigadianos avançou em direção aos grevistas. Estávamos atrás dos trabalhadores e em segundos o caos se instalou, com bombas de gás lacrimogêneo. Grevistas e jornalistas corriam Borges de Medeiros acima para fugir dos cassetetes (àquela época, de madeira maciça!). Na Salgado Filho, um PM me alcançou. Fiquei pendurado em uma árvore e levei muitas cassetadas, que deixaram marcas roxas nas costas. Doeu, mas sobrevivi para contar a história.

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