IDEIAS E BATE-PAPO 22/01/2021 11h16

Ano para driblar o caos mental

São pequenos truques que, se não asseguram a felicidade eterna, ajudam a enfrentar a rotina desafiadora que se impôs há quase um ano

Sinto falta dos abraços, dos amigos em torno da churrasqueira, dos almoços bagunçados com os colegas de trabalho, de jogar conversa fora na padaria, no supermercado e em qualquer lugar onde haja pessoas. Costumo dizer que sou “movido a gente”. O silêncio e a solidão me causam angústia.

Nestes dez meses de confinamento, é do contato humano que mais sinto falta. Longe de negar a pandemia, busco o equilíbrio entre os cuidados e a imposição das tarefas como fazer compras e passear com o cachorro. Entrar em pânico é renunciar à lucidez. Medo? Sim, porque preserva a vida, nos mantém vivos.

Em contrapartida a tantas polêmicas que transformaram os usuários das redes sociais em gladiadores, costumo perguntar aos amigos, em tom de brincadeira: “Tu achas que o ano passou rápido ou muito devagar?”. As respostas são as mais variadas. Vão desde aqueles que dizem: “Quando vi... já era Natal!”. Também há aqueles que garantem: ”Masbá... parece que foram dois ou três anos!”.

Manter a sanidade neste tsunami de más notícias e imagens chocantes repetidas à exaustão pelos noticiários. Li, há pouco, algumas dicas básicas do tipo “Como cuidar da saúde mental”. Em resumo são:

1) faça atividade física regularmente; 2) cuide de sua alimentação; 3) tenha boa qualidade de sono; 4) proporcione-se momento de lazer; 5) faça uma pequena pausa ou pequenas pausas no dia para prestar atenção em sua respiração ou silenciar a mente; 6) viva aqui e o agora!; 7) tenha um hábito, atividade que envolve prazer, momentos de descontração e satisfação pessoal; 8) busque ter fé, independentemente de crença ou religião; 9) doe seu tempo, mesmo que online, participando de algum voluntariado; 10) socialize! É importante manter contato com as pessoas, mesmo que seja pela internet.

São pequenos truques que, se não asseguram a felicidade eterna, ajudam a enfrentar a rotina desafiadora que se impôs há quase um ano, mudando completamente o “normal” de todos nós.

Estamos alterados em todos os sentidos: tempo, espaço, laços familiares, trabalho, sobre o que somos, o que fomos e o que seremos. O home office parecia a solução ideal, mas implodiu a paz doméstica. A rotina de casa foi atropelada pelas demandas do trabalho.

Parece que estar 100% online significa estar 100% disponível. Se não soubermos administrar o nosso tempo, o caos mental será ainda maior. Não há planejamento que resista até o final de semana. A luz no fim do túnel, em forma de vacinação, começa a ganhar forma, mas ainda estamos longe do ideal, de imunização em massa de duas doses, aplicadas de forma organizada e que assegure uma proteção minimamente garantida. 2021 será um ano de resiliência, criatividade, cautela e inesgotável capacidade de se reinventar. Haja energia.