Decisão 21/08/2018 07h11 Atualizado às 07h40

Justiça determina retorno de Seco para o Estado; entenda

Outros 16 detentos apontados como líderes de facções criminosas que atuam no Rio Grande do Sul também devem ser trazidos de volta

Presos na Penitenciária Federal de Campo Grande desde julho do ano passado, após a Operação Pulso Firme, sete homens apontados como líderes de facções criminosas que atuam no Rio Grande do Sul devem retornar ao Estado por conta de uma decisão da Justiça Federal do Mato Grosso do Sul. Entre os apenados incluídos na decisão judicial está o candelariense José Carlos dos Santos, o Seco. 

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Os outros seis apenados que devem ser transferidos de volta ao RS são Márcio de Oliveira Chultz, Jonatha Rosa da Cruz, Milton Melo Ferraz, Letier Ademir Silva Lopes, Diego Moacir Jung e Fábio Fogassa. A Justiça deu prazo de 30 dias para que eles sejam transferidos, mas ainda cabe recurso.
 

Foto: Rodrigo Ziebell/SSPOperação Pulso Firme ocorreu em julho de 2017
Operação Pulso Firme ocorreu em julho de 2017

 

A tramitação

Em junho deste ano, a Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul entrou com pedidos para que os criminosos permanecessem isolados nas unidades federais, para as quais foram transferidos durante a Operação Pulso Firme. Entretanto, a Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre (VEC/POA) negou o pedido e determinou a volta de 17 presos ao Estado

Alguns dias depois, o Tribunal de Justiça do Estado concedeu uma medida cautelar coletiva que suspendeu o retorno de 17 líderes de facções para o Rio Grande do Sul. Com isso, os criminosos permaneceram em penitenciárias federais fora do Estado. A nova decisão, da Justiça Federal do Mato Grosso do Sul, é do dia 13 de agosto, mas só foi conhecida nessa segunda-feira, 20.

 

Quem são os apenados

- José Carlos dos Santos, o Seco: natural de Candelária, Seco foi o líder de uma das principais quadrilhas de roubo a banco do Estado. As condenações por latrocínio, roubo a banco e carro-forte somam 173 anos. 

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- Diego Moacir Jung, o Dieguinho: seria um dos principais especialistas em roubo a banco com explosivos, tem ligações com o PCC. Tem cinco condenações por roubo e uma por porte ilegal de arma de fogo.

- Fábio Fogassa, o Alemão Lico: é considerado um dos líderes da facção Bala na Cara. Foi condenado por roubo, extorsão, homicídio, porte ilegal de arma e tentativa de homicídio.

- Jonatha Rosa da Cruz, o Bito: integrante da gangue da Ladeira, seria um dos responsáveis pelos ataques a bancos em cidades pequenas. Foi condenado por roubo, porte ilegal de arma e receptação. 

- Letier Ademir Silva Lopes: vinculado à facção dos Abertos, o homem natural de Santo Cristo foi condenado por tráfico de drogas, homicídio, roubo e extorsão e tentativa de homicídio.

- Márcio Oliveira Chultz, Alemão Márcio: gerente da facção Bala na Cara, tem condenações por homicídios, porte ilegal de armas e crime contra a fé pública.

- Milton de Mello Ferraz: líder da Gangue dos Milton, com atuação no Bairro Restinga em Porto Alegre. Tem duas condenações por homicídio, uma por tráfico e outra por lesão corporal seguida de morte.

A prisão de Seco

Seco foi preso em 2006, em Paverama, no Vale do Taquari, poucos dias após o ataque a uma transportadora de valores, em Santa Cruz do Sul. No assalto, um capitão da Brigada Militar acabou sendo morto pelo bando com um disparo de fuzil. Os criminosos jogaram um caminhão contra a sede da Proforte e fugiram com o dinheiro. 

Seco, que era procurado por liderar uma série de assaltos, foi capturado em um posto de combustíveis após uma nova troca de tiros com policiais e segue preso desde então. Mesmo dentro do presídio, ele vem sendo investigado também por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas, em Santa Maria.