Investigação 24/08/2018 09h54 Atualizado às 10h22

VÍDEO: suspeito de matar Francine é preso em Santa Cruz

Jair Menezes Rosa foi preso preventivamente nessa quinta-feira

O suspeito de matar a jovem Francine Ribeiro, de 24 anos, foi preso pela Polícia Civil em Santa Cruz do Sul. Ele foi identificado como Jair Menezes Rosa, de 58 anos. A Gazeta acompanhou a movimentação em frente à Delegacia de Polícia Civil desde o começo desta manhã. O preso chegou às 10 horas e foi encaminhado a uma cela na DP.

De acordo com a delegada Lisandra de Castro de Carvalho, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), ele foi encontrado no fim da tarde dessa quinta-feira. "Foi muito difícil. Dias e dias, horas e horas de dedicação. Foram trabalhos intensos e ininterruptos até o fim da tarde de ontem, quando encontramos quem matou e estuprou Francine", explicou em coletiva de imprensa (assista ao vídeo).

Segundo a Polícia Civil, testemunhas teriam visto o suspeito no começo de uma trilha, perto da pista de caminhada do Lago Dourado, no horário do crime. Os policiais chegaram ao nome de Jair, que negou ter ido ao local. Ele teria dito que havia dado uma volta depois do almoço em matos próximos da casa onde morava, no Bairro Várzea, mas reforçou que não havia ido na área do Lago.

Rosa aceitou conceder material para o exame de DNA. Segundo a Polícia, foram encontradas amostras de sêmen no corpo da vítima, que coincidiram com o dele. “O perfil genético do material biológico colhido da região vaginal, do umbigo e do seio apresentou mistura de DNA da vítima e de Jair Menezes Rosa”, disse a delegada. Conforme ela, a Polícia Civil acredita que ele cometeu o crime sozinho. "Vamos descartar totalmente a participação de outra pessoa na semana que vem, quando tiver resultado do DNA das vestes dela (de Francine)."

O mandado de prisão preventiva foi cumprido na tarde dessa quinta-feira. Na casa do acusado, foram apreendidas uma mochila que testemunhas relataram que o homem usava e roupas camufladas, que também serão encaminhadas para perícia. A polícia ainda apreendeu um sapato e um pedaço de pano rasgado, cujo material é semelhante ao encontrado no pulso da vítima e que estava preso num galho.

 

A Polícia Civil tem o prazo de dez dias, contando a partir de hoje, para concluir o inquérito. Jair deve permanecer detido em prisão preventiva. O presídio para o qual ele foi levado não foi revelado pela polícia por questões de segurança.

Foto: Bruno Pedry

 

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"Eles não foram os autores do crime", diz delegada sobre outros nomes 

Conforme Lisandra, o noivo da vítima e outras pessoas próximas a ela, cujos nomes foram repassados à investigação, não cometeram o crime. "Eles não foram os autores do crime. No primeiro dia, fomos averiguar o noivo. Ele fez pagamento em um caixa eletrônico de um posto de combustíveis. Conversamos por um bom tempo com a irmã da vítima. Ela contou que estavam no Dia dos Pais e eles combinaram de assistir a um jogo de futebol. Estava tudo certo, o convite surgiu no almoço, e a Francine disse que ia. De última hora ela desisitiu e decidiu ir para o Lago Dourado. Convidou a irmã, mas ela não quis ir". Francine, então, teria ido para casa com o noivo e convidado a mãe para ir na caminhada.

"Disseram que o noivo teria mandado matar. Como que uma pessoa planeja de uma hora para outra a execução de um crime de uma ideia que surgiu de uma mudança de planos? Execução de crime, via de regra, é com arma de fogo. Não sendo, tem que ter um planejamento. Não se consegue isso em meia hora, não existe isso. A polícia trabalha com técnica de investigação, provas concretas. A gente não pode checar todos os boatos e fantasias que existem. A gente segue um caminho lógico do crime", afirmou a delegada. Em relação a boatos que surgiram nessa quinta-feira, Lisandra esclareceu: "Essas pessoas não foram ouvidas porque não houve necessidade, mas foram investigadas. Eu não vou perder tempo em coisa que não tem sentido."

Foto: DivulgaçãoFrancine foi morta por asfixia mecânica
Francine foi morta por asfixia mecânica

 

O crime

A vera-cruzense Francine foi ao Lago Dourado para uma caminhada no domingo de Dia dos Pais, 12. Segundo a Polícia Civil, Jair teria ficado no começo da trilha, escondido, quando percebeu a aproximação da vítima. A suspeita é de que ela tenha parado ou reduzido a velocidade, o que permitiu a abordagem. "Ele é um cara forte. Nos fundos da casa encontramos halteres de peso. Ele disse que jamais cometeria um crime desses porque tem diabetes, mas pode sim, porque o material genético dele está aqui, isso é incontestável", disse a delegada. "A abordagem dele foi com objetivo de violência sexual e a morte para não ser reconhecido. Pelo perfil inicial, seria esse o motivo", acrescentou Lisandra.

A Polícia Civil acredita que ele tinha contatos do outro lado do Lago e que, por isso, houve a movimentação nos pontos captados pelo GPS do telefone. Além do aparelho, Francine teria saído com aneis, brincos, óculos, fones de ouvido e um casaco, que não foram encontrados com o corpo. "A vítima foi encontrada sem calcinha e isso nos sugere que o autor sumiu com as calcinhas de lá porque tinha, possivelmente, material biológico, e entendendo que sumindo com as calcinhas poderia tentar impedir de ser encontrado". 

Francine foi encontrada morta no dia 13 de agosto após cerca de 16 horas desaparecida. O corpo estava em um matagal de difícil acesso entre o Rio Pardinho e o Lago Dourado, onde ela foi vista com vida pela última vez. A necropsia apontou que a jovem morreu por asfixia mecânica. Ela também foi estuprada e teve hemorragias internas causadas por espancamento na região do abdômen, o que contribuiu para a morte. 

Foto: Reprodução