Caso Francine 31/08/2018 01h10 Atualizado às 06h39

Polícia Civil já tem suspeitos de divulgar boatos no WhatsApp

Rumores que circularam no aplicativo, envolvendo o empresário Israel Rech no assassinato de Francine Ribeiro, estão sob investigação

A Polícia Civil de Santa Cruz do Sul já tem a identidade de possíveis envolvidos na divulgação dos boatos que relacionaram o empresário Israel Rech ao assassinato da jovem Francine Rocha Ribeiro. A onda de rumores teve início no fim da tarde de quinta-feira da semana passada – um dia antes da apresentação do verdadeiro suspeito. Na última segunda, o empresário registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio e a polícia deu início às investigações. Se forem encontrados, os culpados responderão pelo crime de calúnia.

“Essas pessoas serão ouvidas, assim como eventuais testemunhas apontadas. Vamos empreender esforços para localizar quem iniciou o boato”, afirmou a delegada Raquel Schneider, responsável pelo caso. Além do criador da mensagem falsa, pessoas que compartilharam a informação também podem ser responsabilizadas. “Por isso, não se deve compartilhar tudo o que se recebe no WhatsApp, sem verificar a veracidade da informação. Quem compartilha algo por achar que é verdadeiro assume o risco de responder por isso”, frisou.

LEIA MAIS: Saiba tudo sobre o caso da jovem Francine Ribeiro

Uma semana após o episódio que revirou a sua vida de cabeça para baixo, Rech ainda sente os impactos da boataria. “Ainda na noite passada (entre quarta-feira e ontem) eu não consegui dormir, tive pesadelos. Sonhei com pessoas me perseguindo e acabei chegando mais tarde no trabalho pela manhã. Tenho tentado me policiar para não ficar pensando sobre o que aconteceu, mas não é de uma hora para a outra que vai passar”, contou à Gazeta do Sul na tarde de ontem. O empresário disse que tem buscado se distrair na companhia de amigos e familiares, enquanto tenta retomar a rotina. “Às vezes você está superbem e, daqui a pouco, quando fica sozinho, acaba lembrando e pensando no que poderia ter acontecido e no que poderia ter sido evitado.”

Rech afirma que não chegou a receber mensagens ou ameaças, e também não foi abordado em represálias, mas diz ter ficado bastante abalado com a situação. “Não dormi naquela noite em que os boatos circularam. Qualquer barulho que ouvia, o teto estalando, um carro acelerando na rua, pensava que podia ser  alguma ameaça. Até hoje, quando bate uma janela ou surge um ruído diferente, a cabeça logo pensa bobagem”, comentou.

O empresário disse ainda que não sabe o que pode ter levado alguém a relacionar o seu nome com a morte de Francine. Rech afirmou que contratou um advogado e não está acompanhando de perto as investigações. “Estou tentando não falar mais sobre o assunto, para ver se consigo seguir em frente.”

LEIA MAIS

A Pena

Se forem descobertos pela Polícia Civil, os culpados pela divulgação dos boatos contra o empresário santa-cruzense poderão responder pelo crime de calúnia. Segundo o artigo 138 do Código Penal, a pena nesse caso pode variar entre seis meses e dois anos de prisão, além de multa. 

O crime

A jovem Francine Rocha Ribeiro foi morta no último dia 12, domingo de Dia dos Pais. Ela saiu para caminhar no Lago Dourado pelas 14h50 e foi atacada dentro do complexo. A jovem foi vista com vida pela última vez às 15h30. Depois disso, foi estuprada, espancada e estrangulada até a morte.

Após 12 dias de investigação, a Polícia Civil chegou a Jair Menezes Rosa, de 58 anos, o suspeito do crime. O DNA de Rosa foi encontrado pelo laboratório de genética forense do Instituto Geral de Perícias (IGP) em quatro amostras coletadas do corpo da vítima. A polícia descartou outros três suspeitos.

ENTENDA

  • Na quinta-feira da semana passada, uma foto e o nome de Israel Rech, 37 anos, começaram a circular em grupos de WhatsApp, junto com um texto que levantava a possibilidade de o empresário ser o assassino de Francine Rocha Ribeiro, 24 anos. A mensagem dizia ainda que o empresário teria cometido o crime porque a jovem “estaria grávida dele” e ele não queria o filho. O boato se espalhou rapidamente e a família de Israel procurou a polícia, com medo de represálias.
  • A orientação da Polícia Civil foi para que Israel não saísse de casa naquela noite. Na manhã seguinte, a polícia divulgaria o nome do verdadeiro suspeito em uma coletiva de imprensa.  Na ocasião, foi anunciado o nome do acusado: Jair Menezes Rocha, então já preso.
  • Após a coletiva, Rech procurou a Rádio Gazeta, acompanhado do pai, Jorge Rech, para dar uma entrevista. Abalado com a situação, ele passou mal e precisou ser socorrido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Jorge falou à rádio e revelou o drama pelo qual a família estava passando. Naquela sexta-feira, os familiares de Israel chegaram a cancelar compromissos pessoais por causa da repercussão dos boatos.
  • Nessa segunda-feira, Jorge retornou à rádio e contou que a família ainda tenta voltar à normalidade, e que a boataria trouxe de positivo o apoio de muitos amigos. No mesmo dia, Israel registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento, e a polícia deu início à investigação.
  • Uma semana antes do episódio envolvendo Rech, outro homem também foi vítima de boatos, que quase resultaram na sua morte. Cristiano dos Santos havia sido capturado pela Defrec no dia 16 e seria interrogado sobre o caso. Estava foragido do sistema prisional desde quatro dias antes do crime, tinha antecedentes por estupro e era um suspeito da polícia. Mas uma foto dele, do sistema da Susepe, foi vazada por um agente penitenciário e começou a circular via WhatsApp. Dentro do presídio, Santos acabou sendo espancado por uma facção. Na semana seguinte, o Instituto Geral de Perícias (IGP) constatou que o DNA do presidiário não era compatível com as amostras coletadas do corpo da vítima. Ele foi descartado como suspeito.